O volume de recursos destinados ao Plano Safra para o ciclo 2026/2027 deverá ser fixado entre R$ 568 bilhões e R$ 570 bilhões. A estimativa oficial foi apresentada pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Cleber Soares, durante a realização do fórum setorial Veja Fórum Agro, na capital paulista. O anúncio formal do pacote de crédito plurianual está programado para ocorrer daqui a duas semanas.
De acordo com o secretário, o Ministério da Agricultura está em rodadas finais de negociação com o Ministério da Fazenda para garantir um incremento de aproximadamente 10% no orçamento total em comparação com o montante equalizado no ano anterior.
No que diz respeito ao custo do crédito para os produtores rurais, o plano macroeconômico do governo prevê uma redução média de até 2% nas taxas de juros nominais.
Com esse ajuste estrutural, a expectativa do ministério é que os juros cobrados para a agricultura empresarial e de grande porte oscilem dentro da banda de 6% a 11% ao ano.
Alívio nos custos logísticos e de produção
O evento contou com a participação do ministro da Agricultura, André de Paula, que destacou os desdobramentos positivos do avanço diplomático no Oriente Médio, consolidando as negociações entre os Estados Unidos e o Irã.
O ministro apontou que a formalização do acordo prevista para a próxima sexta-feira reduzirá as pressões e a volatilidade do mercado de energia, gerando um reflexo benéfico para o agronegócio nacional.
“Os efeitos negativos da guerra sobre os preços dos fertilizantes e do óleo diesel, produtos muito importantes para o agro, serão mitigados no mercado interno. E os preços do óleo diesel devem começar a cair”, projetou o ministro.
Para diminuir a dependência externa de insumos, o titular da pasta informou que o governo vem estimulando a expansão da capacidade instalada nacional, prevendo a inauguração de quatro novas plantas industriais de produção de ureia até o final deste ano.
A entrada em operação desses complexos fabris deve suprir de forma imediata cerca de 35% da demanda interna por fertilizantes nitrogenados.
Diplomacia sanitária e comércio exterior
Os representantes do MAPA também detalharam os esforços em andamento para reverter a suspensão imposta pela União Europeia aos produtos de origem animal do Brasil. A equipe econômica e técnica trabalha com o prazo limite de 3 de setembro para regularizar os parâmetros sanitários exigidos pelo bloco econômico.
Uma das principais adequações em debate envolve o banimento do uso de antimicrobianos. Na cadeia de avicultura, que possui um ciclo biológico e produtivo mais curto, o ministério avalia haver tempo hábil para a transição imediata. Contudo, para o setor de pecuária de corte (bovinos), a diplomacia brasileira tentará negociar um cronograma de transição mais elástico junto às autoridades europeias.
Por fim, André de Paula celebrou conquistas recentes da política externa sanitária do país, ressaltando o resultado de missões comerciais à Ásia e à Europa Oriental.
O ministro destacou que o governo da China concedeu o reconhecimento formal ao Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação, status sanitário que também foi validado pela Rússia uma semana após o anúncio de Pequim, abrindo novas frentes de expansão de mercado para a proteína animal brasileira.
