O pré-candidato a deputado estadual no Maranhão David Ayoub afirmou que está buscando apoio das autoridades brasileiras para auxiliar a família de Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, maranhense que teria morrido durante um combate na guerra entre Ucrânia e Rússia.
Segundo Ayoub, ele conversou com Carlos Fonseca, chefe da Assessoria Internacional da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI/PR), sobre a situação do jovem.
A articulação tem como objetivo reunir documentos e informações para encaminhar o caso às autoridades competentes e buscar alternativas para auxiliar a família.
A mãe de Mateus, Diana Silva, já encaminhou o passaporte e outros documentos do filho. A expectativa, agora, é de que o caso seja acompanhado em articulação com o Ministério das Relações Exteriores, a Embaixada do Brasil e o Consulado, para avaliar as medidas necessárias relacionadas à localização, à documentação e a uma eventual repatriação do corpo.
“Como político no Maranhão, estamos buscando prestar apoio à família, reunindo documentos e informações para encaminhamento às autoridades competentes”, afirmou David Ayoub.
O político também declarou que continuará acompanhando o caso e colaborando dentro das possibilidades para que a família tenha um desfecho digno diante da situação.

FAMÍLIA VIVE DIAS DE ANGÚSTIA
Natural de Açailândia, na Região Tocantina do Maranhão, Mateus Sandyel tinha 24 anos, era solteiro e não tinha filhos. A família recebeu a informação de que o jovem teria morrido durante um combate na guerra entre Ucrânia e Rússia.
A notícia foi divulgada pela mãe, Diana Silva, nas redes sociais. Desde então, ela enfrenta a incerteza sobre a localização e a retirada do corpo do filho de uma região de conflito.
De acordo com o relato da mãe, militares que atuam na área ainda não conseguiram chegar ao ponto onde Mateus teria morrido. O local seria uma região de mata fechada e de alto risco, o que dificulta a operação de resgate.
Segundo Diana, os soldados precisam percorrer uma longa distância até chegar ao ponto indicado para que seja possível realizar a remoção do corpo.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a mãe relatou a angústia provocada pela espera.
“Já se passaram três dias e ainda não sabem se o corpo do meu filho será resgatado”, afirmou.
Enquanto aguarda a confirmação oficial da morte e a documentação necessária pelas autoridades militares, Diana ainda não conseguiu iniciar os procedimentos para tentar trazer o filho de volta ao Brasil.
A intenção, segundo ela, é contratar assistência jurídica e organizar uma viagem para acompanhar de perto os trâmites relacionados à localização e à eventual repatriação do corpo.
JOVEM CHEGOU A CURSAR ENGENHARIA CIVIL
Mateus era natural de Açailândia e chegou a ingressar no curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), mas posteriormente decidiu seguir outro caminho.
Antes de chegar à Ucrânia, ele passou um período na Europa, onde trabalhou e registrou nas redes sociais viagens por países como Holanda, Bélgica e França.
Segundo a mãe, Mateus decidiu se voluntariar para integrar o Exército ucraniano em março deste ano. Diana relatou que o filho teria aceitado a proposta após receber informações sobre uma bonificação pelo recrutamento e um salário considerado atrativo em um contrato de seis meses.
Ainda de acordo com o relato da mãe, porém, a realidade encontrada pelo jovem na Ucrânia teria sido diferente daquela apresentada antes da viagem.
Desde maio, Mateus passou a publicar nas redes sociais imagens e vídeos relacionados ao treinamento militar e à rotina vivida no país, incluindo registros ligados à experiência no front.
MÃE RELATA DOR E RELEMBRA PLANOS DO FILHO
Em um dos trechos mais emocionantes do vídeo publicado por Diana, a mãe falou sobre a dor provocada pela perda e afirmou que não esperava enfrentar uma situação como essa.
“Esse é o pior engajamento da minha vida. Eu não queria nada disso, eu só queria o meu filho. Esse é o pior castigo que estou vivendo”, declarou.
Ao lembrar da trajetória de Mateus, Diana descreveu o filho como um jovem inteligente, querido por familiares e amigos e admirado pela coragem demonstrada ao decidir deixar o Brasil para lutar em outro país.
Segundo ela, a decisão do filho não foi impedida pela família porque Mateus já era adulto e demonstrava convicção sobre o caminho que havia escolhido.
“Ele era um menino fora da curva. Era muito inteligente, com uma inteligência excepcional, um amor excepcional e um carinho excepcional. Por onde ele passava, era querido. Eu só podia admirá-lo”, afirmou.
A mãe também disse que admirava a coragem do filho, mas não tinha dimensão dos riscos que ele enfrentaria ao atuar diretamente em uma região de guerra.
“Meu filho era um menino muito bom e muito corajoso. Ele abdicou do conforto, da família e dos planos para lutar por outro país. Eu esperava que ele voltasse”, declarou.
FAMÍLIA ESPERAVA RETORNO AO MARANHÃO
Diana afirmou ainda que sempre acreditou que Mateus retornaria em segurança ao Brasil. Segundo ela, a família não tinha conhecimento completo sobre os perigos enfrentados por quem atua na linha de frente do conflito.
“Quando ele foi para aquele lugar, eu tinha confiança. Em nenhum momento fraquejei. Eu confiava que ele iria e voltaria”, relatou.
A mãe contou que o filho evitava compartilhar com a família os momentos mais difíceis vividos durante o conflito. De acordo com ela, Mateus procurava preservar os familiares e concentrava as conversas nos planos para o futuro e no retorno ao Maranhão.
O contrato do jovem estaria próximo do fim. A expectativa da família era de que ele pudesse retornar ao Brasil dentro de aproximadamente dois meses.
“Eu esperava o meu filho voltar. Faltavam apenas dois meses para ele encerrar o contrato. Eu não imaginava que, enquanto ele ainda estava no período de experiência, já o colocariam na linha de frente”, afirmou Diana.