Conta de luz e alimentos aliviam inflação em agosto, enquanto cigarro dispara 19,59%

Conta de luz e alimentos aliviam inflação em agosto, enquanto cigarro dispara 19,59%

Economia

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou queda de 0,32% em agosto, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a primeira deflação em um ano e a maior queda para um mês desde agosto de 2022.

A redução foi influenciada principalmente pelo recuo nas tarifas de energia elétrica residencial e pela queda nos preços de alimentos e passagens aéreas. Mesmo com a deflação, alguns produtos tiveram aumentos expressivos e pressionaram o orçamento das famílias, com destaque para o cigarro, que ficou 19,59% mais caro no mês.

Com o resultado de agosto, o IPCA acumula alta de 3,11% desde janeiro e de 4,22% nos 12 meses encerrados no mês. O índice em 12 meses ficou abaixo do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação, depois de registrar 4,44% até julho.

Energia elétrica foi o principal alívio

O grupo Habitação teve queda de 1,87% em agosto, o menor resultado para um mês de agosto desde o início do Plano Real. O principal responsável pelo recuo foi a energia elétrica residencial, que caiu 7,63% e sozinha retirou 0,33 ponto percentual do IPCA.

A redução está relacionada principalmente ao Bônus de Itaipu, crédito concedido nas contas de energia de agosto e que representou um abatimento de R$ 872,1 milhões para 83,8 milhões de consumidores. A bandeira tarifária amarela, no entanto, continuou em vigor no período, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Em São Luís, a tarifa residencial de energia também contribuiu para a queda. O IBGE incorporou ao cálculo um reajuste de 5,42% aplicado a partir de 28 de agosto, mas o efeito final sobre a tarifa na capital maranhense foi de queda de 8,51% no mês.

Alimentos também ficaram mais baratos

O grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,34% em agosto, mantendo a sequência de recuos registrada nos últimos meses. Dentro de casa, os preços caíram 0,61%.

Entre os produtos que mais ficaram baratos estão a batata-inglesa, com redução de 19,89%, a cenoura, que caiu 11,22%, a cebola, com queda de 11,07%, e o tomate, que recuou 10,94%.

Também houve redução nos preços do ovo de galinha, de 4,15%, e do café moído, de 1,86%. Em sentido contrário, o leite longa vida subiu 1,78%, as frutas ficaram 0,84% mais caras e as carnes tiveram alta de 0,61%.

A alimentação fora do domicílio também apresentou desaceleração. O grupo passou de uma alta de 0,55% em julho para 0,36% em agosto.

Passagens aéreas e combustíveis ajudam a reduzir o índice

O grupo Transportes recuou 0,86% no mês. O principal destaque foi a queda de 13,17% nas passagens aéreas.

Os combustíveis também ficaram mais baratos. O etanol apresentou redução de 3,95%, o óleo diesel caiu 0,80% e a gasolina teve queda de 0,59%. O resultado ajudou a reduzir a pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente nos gastos relacionados a deslocamento.

Cigarro tem forte alta e puxa índice para cima

Na outra ponta, o grupo Despesas pessoais registrou a maior alta entre os nove grupos pesquisados, com avanço de 1,30%. O principal responsável foi o cigarro, cujo preço aumentou 19,59% em agosto.

O item teve impacto positivo de 0,11 ponto percentual no IPCA, tornando-se o produto que mais contribuiu individualmente para a alta do índice no mês.

Além do cigarro, também ficaram mais caros o conserto de automóveis, com alta de 1,35%, as carnes, que subiram 0,61%, o empregado doméstico, com avanço de 0,56%, e os cursos regulares, que tiveram aumento de 0,52%.

Cinco grupos tiveram alta

Apesar da deflação geral, cinco dos nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram aumento em agosto. Além de Despesas pessoais, que subiu 1,30%, houve alta de 0,64% em Artigos de residência, 0,47% em Educação, 0,23% em Saúde e cuidados pessoais e 0,12% em Vestuário.

Outros quatro grupos tiveram queda. Além de Habitação, que recuou 1,87%, Transportes caiu 0,86%, Alimentação e bebidas teve baixa de 0,34% e Comunicação registrou redução de 0,09%.

O resultado mostra que a deflação de agosto foi fortemente concentrada em itens específicos, principalmente energia elétrica, alimentos e transportes. O alívio, portanto, não significa que todos os preços tenham recuado. O cigarro e outros produtos e serviços continuaram pressionando o custo de vida.

Para os próximos meses, o comportamento da energia elétrica será um dos pontos de atenção. Parte do alívio registrado em agosto veio de um fator específico, o Bônus de Itaipu, e não necessariamente representa uma tendência permanente de queda das tarifas. A evolução dos alimentos, dos combustíveis e das condições climáticas também deve influenciar os próximos resultados de inflação.

O IPCA é utilizado pelo governo como referência oficial para acompanhar a inflação e também serve de parâmetro para a política monetária do Banco Central. O próximo resultado, referente a setembro, está previsto pelo IBGE para 9 de outubro.

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