Tiago Fernandes desmonta narrativa de Braide sobre Socorrões e cobra debate transparente pela saúde de São Luís

Tiago Fernandes desmonta narrativa de Braide sobre Socorrões e cobra debate transparente pela saúde de São Luís

Política

O ex-secretário de Estado da Saúde do Maranhão, Tiago Fernandes, rebateu as críticas que atribuem ao fluxo de pacientes do interior a principal causa da superlotação dos hospitais Socorrão I e II, em São Luís. Em manifestação pública, ele defendeu um debate baseado em dados e apontou problemas estruturais da rede municipal de saúde como fatores que também contribuem para a pressão sobre as unidades de urgência e emergência da capital.

Ao abordar a questão, o ex-secretário destacou a importância da atenção básica como porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e chamou atenção para a ausência de cobertura adequada em diversos bairros da capital. “Qual é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde? As unidades básicas de saúde, que são para cuidar dos nossos hipertensos, dos nossos diabéticos, das nossas crianças, para cuidar das nossas gestantes. É o caminho natural para que a pessoa tenha acesso à assistência à saúde”, afirmou.

Tiago fez um comparativo entre a situação da capital e a evolução dos indicadores estaduais. “Se eu disser para vocês que os bairros do Sacavém, Bequimão, Forquilha, Planalto Pingão, Monte Castelo, Madre de Deus, Coahuma e Cohab não têm atenção primária específica. São Luís é a última capital do Nordeste em termos de cobertura de atenção primária. O inverso acontece no Maranhão, que de 2021 para cá subiu para a terceira colocação em termos regionais”, declarou.

O ex-secretário também revelou que o Governo do Estado propôs a utilização do Hospital da Ilha para ampliar o atendimento de casos específicos e reduzir a pressão sobre os hospitais municipais. Segundo ele, a iniciativa não avançou por falta de acordo com a Prefeitura de São Luís.

“Foi proposto a abertura do Hospital da Ilha para os casos de AVC e para os casos de queimados. São Luís não quis. São Luís disse que queria para vascular e para a parte de trauma. Se o Socorrão está lotado, tirar o AVC e tirar também a ala de queimados, será que não aliviaria a pressão?”, questionou.

Na avaliação do Tiago, a falta de cobertura da atenção básica e a não utilização de estruturas que poderiam absorver parte da demanda ajudam a explicar o cenário enfrentado pelos socorrões. “Será que se tivesse atenção primária em todos esses bairros que eu acabei de pontuar para vocês também não aliviaria a pressão dos socorrões?”, acrescentou.

Tiago Fernandes foi enfático ao afirmar que responsabilizar exclusivamente os pacientes do interior pela crise nas unidades municipais não contribui para a busca de soluções. “Dizer que os socorrões estão lotados exclusivamente porque a população do interior do estado está vindo para a capital não cabe. O debate tem que ser responsável, tem que ser transparente. Essas informações que foram colocadas não ajudam o debate”, declarou.

O ex-secretário também destacou os investimentos realizados pelo Governo do Maranhão na área da saúde, incluindo a reforma de hospitais municipais, implantação de policlínicas, UPAs, hospitais de alta complexidade, mutirões de cirurgias, entrega de ambulâncias aos municípios e a ampliação da rede de hemodiálise em diversas regiões do estado.

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