STF libera para julgamento ação penal contra Eduardo Bolsonaro por suposta articulação de tarifaço dos EUA

STF libera para julgamento ação penal contra Eduardo Bolsonaro por suposta articulação de tarifaço dos EUA

Justiça

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou para julgamento a ação penal que tem como réu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O processo apura a suposta atuação do ex-parlamentar na articulação de medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, incluindo a imposição de tarifas sobre exportações brasileiras. Ainda não há data definida para a análise do caso.

A ação será julgada pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, relator do processo, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Em novembro do ano passado, a Corte aceitou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou a participação de Eduardo Bolsonaro em iniciativas voltadas à adoção de sanções por parte do governo norte-americano, como o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros e a suspensão de vistos de autoridades do Executivo e de ministros do STF. O ex-deputado responde pelo crime de coação no curso do processo.

Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos e perdeu o mandato na Câmara dos Deputados após acumular faltas às sessões legislativas.

Antes de encaminhar o processo para julgamento, Moraes determinou a notificação do réu por edital. Como ele não foi localizado e não constituiu defesa particular, o ministro autorizou a atuação da Defensoria Pública da União (DPU) no caso.

Nas alegações finais enviadas ao Supremo, a DPU pediu a anulação do processo, argumentando que Alexandre de Moraes não teria condições de atuar no julgamento por também figurar entre os alvos das medidas atribuídas ao ex-deputado, como restrições de visto e sanções financeiras.

“Aqui o julgador é, ao mesmo tempo, a principal vítima das condutas que é chamado a julgar”, sustentou a defesa.

Segundo a denúncia da PGR, Eduardo Bolsonaro teria incentivado ações do governo dos Estados Unidos com o objetivo de pressionar o STF e evitar uma eventual condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado.

Para a Procuradoria, ficou comprovado que o ex-parlamentar utilizou ameaças contra autoridades envolvidas no julgamento da ação penal relacionada à trama golpista, buscando beneficiar politicamente o pai e afastar sua responsabilização criminal.

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