Protesto na Câmara de São Luís cobra revogação de lei que restringe uso de banheiros por mulheres trans

Protesto na Câmara de São Luís cobra revogação de lei que restringe uso de banheiros por mulheres trans

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Mesmo após protestos e questionamentos sobre possível inconstitucionalidade, a lei que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans em São Luís segue promulgada e sem uma solução definitiva no Judiciário. O tema voltou a mobilizar ativistas, coletivos LGBTQIAPN+ e mulheres trans durante manifestação realizada na manhã dessa segunda-feira (18), na Câmara Municipal de São Luís, durante sessão legislativa da Casa.

O protesto ocorreu dias após a promulgação da proposta de autoria do vereador Marquinhos, aprovada em dois turnos pelos parlamentares e promulgada pela própria Câmara após não receber sanção do Executivo municipal. Durante o ato, os manifestantes exibiram cartazes, acompanharam os debates em plenário e cobraram a revogação da medida.

A legislação proíbe mulheres trans de utilizarem banheiros femininos, vestiários e espaços semelhantes em órgãos públicos e estabelecimentos privados da capital maranhense. Enquanto defensores da proposta argumentam que a medida busca garantir proteção e segurança às mulheres, ativistas e entidades de direitos humanos classificam a norma como discriminatória e apontam possível violação de direitos constitucionais.

Durante a manifestação, os participantes também cobraram um posicionamento definitivo da Justiça sobre o tema. O debate ganhou repercussão nacional diante da ausência de uma regulamentação consolidada sobre o uso de banheiros por pessoas trans no país. Na tramitação do projeto, a matéria dividiu opiniões dentro da própria Câmara Municipal. A Comissão de Justiça emitiu parecer favorável ao texto, enquanto a Comissão de Assistência Social se posicionou contrária à proposta.

Apesar da divergência entre os colegiados, o projeto acabou aprovado em dois turnos pelo plenário. No âmbito jurídico, o Supremo Tribunal Federal já possui entendimentos de que impedir pessoas trans de utilizarem banheiros de acordo com sua identidade de gênero pode configurar tratamento vexatório. Além disso, a transfobia é equiparada ao crime de racismo pela Justiça brasileira. Apesar disso, ainda não há uma decisão definitiva da Corte sobre o tema.

Em 2024, o STF rejeitou um caso relacionado ao assunto sem analisar o mérito da discussão. Atualmente, uma ação específica aguarda julgamento sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. Na última semana, uma entidade de juristas trans acionou o Conselho Nacional de Justiça solicitando uma regulamentação nacional sobre o uso de banheiros por pessoas trans no âmbito do Judiciário.

Até o momento, não houve avanço no pedido. A ausência de uma definição nacional mantém o tema em debate tanto no Judiciário quanto em casas legislativas de diferentes cidades brasileiras.

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