Petrobras reduz preço do querosene de aviação e custo das passagens pode ser impactado

Petrobras reduz preço do querosene de aviação e custo das passagens pode ser impactado

Economia

A Petrobras anunciou uma nova redução no preço do querosene de aviação (QAV) comercializado para as distribuidoras. A partir de julho, o combustível terá uma diminuição média de 14,5%, o que representa uma redução de aproximadamente R$ 0,81 por litro em comparação com os valores praticados no mês anterior.

Segundo a estatal, o reajuste foi motivado pelo recuo das cotações internacionais do combustível, influenciado pela redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nos últimos meses, os conflitos na região haviam elevado os preços do petróleo e seus derivados no mercado global.

Os reajustes do querosene de aviação são realizados pela Petrobras sempre no início de cada mês, conforme os contratos firmados com as distribuidoras.

Esta é a segunda redução consecutiva no preço do QAV. Em junho, a companhia já havia promovido um corte de 14,2%, equivalente a cerca de R$ 0,93 por litro, encerrando um período de sucessivos aumentos registrados desde março.

Apesar das duas quedas consecutivas, o combustível ainda acumula valorização expressiva ao longo de 2026. Na comparação com os preços praticados no fim de 2025, o litro do querosene permanece cerca de R$ 1,39 mais caro, o que representa uma alta acumulada de 40,5% neste ano.

O querosene de aviação é o principal combustível utilizado por aeronaves comerciais equipadas com motores a jato. Produzido durante o processo de refino do petróleo, ele é desenvolvido para operar com segurança em condições extremas de altitude e temperatura.

Para as empresas aéreas, o gasto com combustível representa uma das maiores despesas operacionais. Por isso, oscilações no preço do petróleo ou na cotação do dólar costumam impactar diretamente os custos do setor e podem influenciar o valor das tarifas cobradas dos passageiros.

Com o novo reajuste, a tendência é de redução nos custos das distribuidoras e, consequentemente, de parte das despesas enfrentadas pelas companhias aéreas. No entanto, especialistas apontam que isso não garante uma diminuição imediata no preço das passagens, já que fatores como demanda, concorrência entre as empresas, disponibilidade de voos e variações cambiais também exercem forte influência sobre as tarifas.

A pressão sobre o preço do querosene nos últimos meses esteve relacionada principalmente ao aumento das cotações internacionais do petróleo, impulsionado pelas incertezas envolvendo o Oriente Médio e pelos receios de possíveis interrupções no transporte da commodity pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o comércio mundial de petróleo.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o preço médio das passagens aéreas domésticas alcançou R$ 632,53 em maio, registrando alta de 11,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que, no mesmo mês, o litro do querosene de aviação foi comercializado, em média, por R$ 6,46, valor 68,5% superior ao registrado um ano antes. Apesar da recente sequência de reduções anunciadas pela Petrobras, o combustível ainda permanece em um patamar elevado na comparação anual.

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