Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o World Health Statistics 2026, mostra que 22,1 milhões de mortes estão associadas à pandemia da Covid-19, entre os anos de 2020 e 2023. O número é três vezes maior do que o notificado oficialmente, de 7 milhões de óbitos.
“Isso revela a dimensão do impacto global da pandemia, revertendo uma década de avanços na expectativa de vida, com a recuperação ainda incompleta e desigual entre as regiões”, diz o relatório.
Como a OMS chegou a esse número
- O cálculo do excesso de mortes, em relação ao divulgado oficialmente pelos governos, é feito a partir da diferença entre o número de mortes ocorridas (entre 2020 e 2023) e o número de mortes esperado com base em tendências históricas, de anos anteriores à pandemia.
- O número também inclui pessoas que morreram por outras condições devido à sobrecarga dos sistemas de saúde durante a época.
Segundo o documento, o ano com a maior diferença entre mortes ocorridas e relatadas oficialmente foi 2021, com 10,4 milhões de óbitos em excesso, impulsionado pela variante da Delta do vírus e pela sobrecarga extrema dos sistemas de saúde.
A OMS alerta para a importância dos dados para a produção de relatórios como esse.
No fim de 2025, apenas 18% dos países reportavam dados de mortalidade à OMS dentro de um ano, e quase um terço dos países nunca reportou dados sobre causas de morte.
Apenas um terço dos países atende aos padrões da OMS para dados de mortalidade de alta qualidade, enquanto cerca de metade tem dados de baixa ou muito baixa qualidade, ou nenhum dado.
“As lacunas de dados limitam severamente a capacidade de monitorar tendências de saúde em tempo real, comparar resultados entre países e elaborar respostas eficazes de saúde pública”, afirmou Alain Labrique, diretor do Departamento de Dados, Saúde Digital, Análise e Inteligência Artificial, da OMS.
