O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil continuará ampliando suas relações comerciais com outros países diante das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.
Ao comentar o cenário econômico e político do país, Lula afirmou que o Brasil vive um momento positivo, com avanços em diferentes áreas, embora parte da população ainda não perceba esses resultados. Segundo ele, o país reúne indicadores favoráveis e tem registrado melhorias nas condições de vida da população.
O presidente também aproveitou o encontro para criticar a decisão do governo norte-americano de impor novas barreiras comerciais ao Brasil. Lula afirmou que o país não aceitará ser tratado de forma desrespeitosa e reforçou a defesa da soberania nacional.
“Não somos melhores do que ninguém, mas também não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, declarou.
As críticas ocorreram após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugerir a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Entre as justificativas apresentadas pelos norte-americanos estão alegações de práticas comerciais consideradas prejudiciais a empresas dos Estados Unidos.
Lula contestou os argumentos utilizados pelo governo norte-americano e afirmou que os números da relação comercial entre os dois países demonstram que os Estados Unidos acumulam superávit nas transações com o Brasil.
O presidente disse ainda que foi surpreendido pela decisão, já que havia uma negociação em andamento entre os dois governos para tratar das questões comerciais. Segundo ele, a expectativa era de que o tema fosse resolvido por meio do diálogo diplomático.
Diante do impasse, Lula afirmou que o Brasil buscará ampliar parcerias econômicas e abrir novos mercados para os produtos nacionais. “Se não quiserem comprar da gente, vamos vender para quem quiser comprar”, afirmou.
O chefe do Executivo também voltou a defender o fortalecimento das instituições internacionais e do multilateralismo. Lula confirmou que participará da próxima reunião do G7, na França, onde pretende discutir temas relacionados à democracia, ao comércio internacional e à governança global.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas anunciadas pelos Estados Unidos podem atingir cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. O governo brasileiro poderá apresentar manifestações sobre o relatório até meados de julho, antes da possível adoção das medidas definitivas.
