Inflação pesa no bolso do consumidor de São Luís

Inflação pesa no bolso do consumidor de São Luís

Economia

O custo de vida continua pressionando o orçamento das famílias em São Luís. Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, subiu 0,13% na capital maranhense. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,87%, enquanto o acumulado no ano alcançou 4,51%.

O resultado de julho colocou São Luís entre as áreas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que registraram as maiores altas no mês. A capital maranhense teve a quinta maior variação, atrás de Rio Branco (0,32%), Rio de Janeiro (0,30%), São Paulo (0,29%) e Vitória (0,19%).

Embora a alta de 0,13% pareça pequena, o índice representa a variação média de uma ampla cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias. Entre os grupos acompanhados estão alimentação, habitação, transportes, saúde, educação, vestuário e despesas pessoais.

Alguns preços subiram bem acima da inflação média

A variação do IPCA é uma média. Por isso, determinados produtos e serviços podem apresentar aumentos muito superiores ao índice geral.

Em julho, entre os itens que pressionaram os preços em São Luís, o perfume teve alta de 3,04%, enquanto a gasolina aumentou 0,97%. A passagem aérea foi o destaque, com alta de 17,83%, e o conserto de automóvel subiu 1,73%.

Esses números ajudam a dimensionar o impacto da inflação: enquanto o IPCA da capital avançou 0,13% no mês, alguns itens específicos tiveram aumentos de várias vezes esse percentual.

Alimentos têm comportamento diferente

No grupo de alimentação e bebidas, o comportamento dos preços foi desigual. Alguns produtos ficaram mais baratos em julho. O tomate caiu 18,52%, a batata inglesa recuou 13,94% e o café moído teve redução de 5,05%. Também houve queda nos preços do arroz (-0,79%) e da farinha de mandioca (-1,83%).

Por outro lado, alguns alimentos ficaram mais caros. O preço do frango inteiro aumentou 2,83%, enquanto as carnes, na média, subiram 0,92%. O camarão teve alta de 4,17%.

A combinação de altas e quedas explica por que a inflação de um determinado grupo não pode ser medida apenas pela variação de um produto isolado.

Cesta básica também ficou mais cara

A pressão sobre a alimentação aparece também no comportamento da cesta básica. Em São Luís, o valor dos alimentos básicos aumentou 0,3% entre junho e julho, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O movimento ocorreu na contramão do registrado em outras 26 capitais brasileiras, que tiveram redução no custo da cesta básica no período.

A inflação sentida nos mercados

Se o IPCA mostra a inflação por meio das estatísticas, é nos mercados, feiras e supermercados que o consumidor percebe diariamente a variação dos preços.

Na feira, por exemplo, o preço do frango abatido, que era encontrado por cerca de R$ 17 o quilo, passou a ser comercializado por aproximadamente R$ 23. O miolo de acém, que custava R$ 28, chegou a R$ 30. O quilo do peixe varia entre R$ 28 e R$ 50, dependendo da espécie.

A carne suína também apresenta diferença: de aproximadamente R$ 19 passou para R$ 25 o quilo. Já o arroz é encontrado na faixa de R$ 4 a R$ 6, enquanto a farinha de mandioca varia entre R$ 10 e R$ 14.

Os preços observados nos pontos de venda não correspondem necessariamente à mesma cesta utilizada no cálculo do IPCA, mas ajudam a ilustrar como a variação de preços chega ao orçamento doméstico.

 O teste dos R$ 100

Uma forma simples de visualizar o impacto dos preços é imaginar o que o consumidor consegue levar para casa com R$ 100, considerando os preços médios observados e uma compra composta por:

1,5 kg de carne bovina (acém): R$ 45,00

1,5 kg de arroz: R$ 9,00

1 kg de farinha de mandioca: R$ 10,00

1,5 kg de tomate: R$ 12,00

1,5 kg de cebola: R$ 12,00

1 dúzia de ovos: R$ 7,00

1 dúzia de bananas: R$ 5,00

Total: R$ 100,00

A lista mostra que, com uma nota de R$ 100, o consumidor consegue comprar uma quantidade relativamente limitada de alimentos básicos — e que pequenas variações nos preços de produtos de grande consumo podem fazer diferença no orçamento. A inflação, portanto, não aparece apenas em um percentual divulgado pelo IBGE. Ela se manifesta na diferença entre o que o consumidor pagava anteriormente e o que precisa desembolsar hoje para levar para casa os mesmos produtos.

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