O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, participou nesta terça-feira (7) de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, onde defendeu o adiamento da aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Durante o pronunciamento, realizado em inglês, o parlamentar afirmou que este não seria o momento adequado para a adoção das medidas, considerando o cenário político brasileiro e a proximidade das eleições presidenciais, previstas para outubro.
Flávio participou da audiência ao lado do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente reside nos Estados Unidos.
Senador pede que tarifas sejam suspensas
Em sua fala, o senador argumentou que uma eventual mudança no cenário político brasileiro nos próximos meses poderia tornar desnecessária a aplicação das sanções comerciais.
Segundo ele, impor tarifas neste momento poderia prejudicar uma relação comercial consolidada entre os dois países e afetar empresas brasileiras.
Flávio também defendeu que, caso o objetivo do governo norte-americano seja responsabilizar determinadas pessoas, existem instrumentos específicos para isso, sem a necessidade de impor restrições que atinjam toda a economia brasileira.
Audiência faz parte de consulta pública dos EUA
As audiências promovidas pelo USTR integram o processo de consulta pública sobre a possível adoção de tarifas adicionais contra produtos brasileiros. A participação é aberta a interessados previamente inscritos, razão pela qual o senador conseguiu espaço para apresentar seu posicionamento.
O prazo para a conclusão da análise e eventual decisão do governo dos Estados Unidos sobre a aplicação das novas tarifas termina em 15 de julho.
A participação de Flávio Bolsonaro ocorreu de forma independente e não representa oficialmente o governo brasileiro ou o Ministério das Relações Exteriores.
Governo brasileiro apresentou defesa formal
Enquanto o senador participou da audiência pública, o governo federal optou por não enviar representantes para fazer pronunciamentos durante o evento, mantendo apenas observadores.
O entendimento do Executivo é de que as negociações comerciais devem ocorrer por meio de canais diplomáticos e reuniões técnicas entre os dois governos.
Recentemente, o Itamaraty encaminhou uma resposta oficial ao governo norte-americano contestando os argumentos apresentados na investigação comercial conduzida pelo USTR. No documento, o Brasil afirma que não há comprovação de práticas discriminatórias contra empresas dos Estados Unidos e sustenta que temas como o PIX e decisões do Supremo Tribunal Federal não possuem relação com disputas comerciais.
Críticas ao governo e defesa do PIX
Durante sua participação, Flávio Bolsonaro também fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abordando temas como corrupção e gestão pública.
O senador ainda defendeu o sistema de pagamentos instantâneos PIX, destacando sua importância para a inclusão financeira e afirmando que a ferramenta beneficia tanto consumidores quanto empresas, inclusive companhias norte-americanas que operam no Brasil.
Após a audiência, Flávio voltou a criticar a ausência de representantes do governo federal entre os participantes que fizeram uso da palavra, afirmando que esteve nos Estados Unidos para defender os interesses das empresas brasileiras diante da possibilidade de adoção das novas tarifas comerciais.