O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, afirmou, nesta terça-feira (23/6), que 40 pessoas morreram afogadas, apenas nos últimos cinco dias, ao tentarem se refrescar para aliviar a onda de calor recorde que assola o país. A maioria das vítimas era jovem.
A madrugada de hoje foi “a noite mais quente de todos os tempos”, desde o início dos registros, em 1947, classificou o jornal France24. O indicador nacional de temperatura atingiu 21,6°C (o recorde anterior era de 21,4°C, registrado em 25 de julho de 2019).
“Em um país sem ar-condicionado generalizado, as temperaturas escaldantes levaram ao fechamento de escolas, cancelamento de eventos e à interrupção dos serviços ferroviários”, relatou.

Nessa segunda (22/6), duas crianças, de 2 e 4 anos, foram encontradas mortas dentro de um carro em Carpentras, no sul francês. Os bombeiros encontraram as vítimas em estado de parada cardiorrespiratória, no carro da mãe, em um estacionamento residencial. A mãe das crianças está sob custódia.
O serviço meteorológico nacional Météo France colocou 54 departamentos sob alerta vermelho, o que representa cerca da metade do país. Os alertas foram implementados no país após a onda de calor de agosto de 2003, quando as temperaturas causaram cerca de 15 mil mortes.
“A previsão é de que as condições extremas persistam pelo menos até o fim da semana, com temperaturas máximas acima de 40ºC”, informou o órgão climático. As condições devem começar a melhorar a partir desta sexta-feira (26).
O calor extremo foi causado por um padrão climático chamado “Bloco Ômega”, que aprisionou uma massa de ar quente sobre o continente.
Outros países europeus também estão sofrendo com a onda de calor. Além da França, Itália, Espanha e Reino Unido estão entre os principais atingidos.
De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, a Europa é o continente que está aquecendo mais rapidamente no mundo, com temperaturas aumentando duas vezes mais rápido que a média global desde a década de 1980.
