Flávio Bolsonaro comenta encontro com Vorcaro e defende CPMI do Banco Master

Flávio Bolsonaro comenta encontro com Vorcaro e defende CPMI do Banco Master

Política

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta terça-feira (19) que se encontrou pessoalmente com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, após o empresário ter sido submetido ao uso de tornozeleira eletrônica.

A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa em Brasília, após reunião da bancada do Partido Liberal (PL), convocada em meio a desgastes políticos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o senador, o encontro teve como objetivo encerrar controvérsias em torno do caso. Ele afirmou: “Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história”.

Flávio explicou que sua aproximação com Vorcaro ocorreu exclusivamente no contexto da busca por investidores para a produção cinematográfica.

Ele disse ter conhecido o banqueiro no fim de 2024, durante um jantar em que se discutiam dificuldades para financiar o projeto no Brasil. De acordo com o parlamentar, empresários demonstravam resistência em associar suas marcas ao filme, o que levou a equipe de produção a estruturar parte do financiamento nos Estados Unidos.

O senador afirmou ainda que, naquele período, Vorcaro era visto como um empresário com forte circulação entre diferentes setores políticos e econômicos. Ele declarou que o banqueiro chegou a cumprir parte dos compromissos financeiros previstos, mas teria interrompido os pagamentos a partir de maio de 2025. A equipe do filme, segundo ele, tentou diversas vezes obter esclarecimentos sobre a continuidade do aporte financeiro.

Em relação a um áudio divulgado recentemente, Flávio disse que ele foi gravado no contexto dessas cobranças por uma definição sobre os repasses, para evitar a paralisação da produção. “O filme já estava no grande eixo. Encerrar aquilo seria uma catástrofe”, afirmou.

O senador também relatou que decidiu procurar o empresário após o início das medidas judiciais contra ele, com o objetivo de esclarecer pendências ligadas ao projeto e compreender melhor a situação financeira envolvida.

Durante a coletiva, Flávio ainda defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso do Banco Master e ampliou as críticas ao citar encontros entre autoridades do governo federal e o banqueiro. “É mais urgente do que nunca a CPMI do Banco Master. Vai ser a única forma de separar bandido de inocente”, declarou.

Nos bastidores políticos, aliados do PL avaliam que a repercussão do caso e a associação do nome do senador ao empresário geraram desgaste e pressão sobre sua projeção política.

Em outra frente, Flávio Bolsonaro comentou a situação dos recursos investidos no filme. Ele afirmou que os valores serão separados e disponibilizados às autoridades, caso a produção gere retorno financeiro. Segundo ele, “Foi pedido à produtora e ao fundo que façam uma prestação de contas transparente, em até 30 dias, de todas as despesas feitas em função desse investimento no filme”.

O senador também declarou que, quando houver resultados financeiros do projeto, a quantia aplicada será destacada para eventual análise das autoridades: “Assim que o filme começar a dar resultado, o valor aplicado por intermédio da empresa indicada pelo Daniel Vorcaro vai ser destacado e separado para ficar à disposição das autoridades brasileiras para fazer o que entenderem que deve ser feito”, disse.

Além das questões envolvendo o filme, Flávio comentou a Proposta de Emenda à Constituição que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. Ele criticou a iniciativa e disse que o Partido Liberal pretende apresentar uma alternativa baseada na remuneração por hora trabalhada, mantendo proporcionalmente os direitos dos trabalhadores.

Segundo ele, o debate atual estaria sendo conduzido com viés político e sem considerar impactos econômicos. “Vai gerar desemprego em massa, aumento no custo de vida e prejudicar mais os trabalhadores do que ajudar”, declarou.

O senador também afirmou que a Consolidação das Leis do Trabalho estaria defasada diante das mudanças tecnológicas e das novas modalidades de trabalho. “Uma época em que não existia internet, home office, aplicativos de entrega e aplicativos de transporte”, afirmou. “O Brasil avançou e precisa de uma legislação mais moderna”, emendou ainda.

A proposta defendida pelo PL prevê a formalização de contratos por hora trabalhada, com manutenção proporcional de benefícios como férias, 13º salário e FGTS. Para Flávio, esse modelo permitiria maior flexibilidade na jornada.

“O trabalhador vai poder escolher quanto quer trabalhar. Se quiser trabalhar mais, trabalha mais. Se precisar de flexibilidade, também vai estar atendido por essa legislação”, disse.

Ele também argumentou que mudanças nesse sentido poderiam ampliar a participação de mulheres no mercado de trabalho, especialmente mães com dificuldades de conciliar rotina familiar e emprego formal.

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