Faltando praticamente um mês para a estreia na Série D do Campeonato Brasileiro, o Moto passa por uma situação financeira bastante deficitária. Sem receita, mas tendo muitas dívidas vencidas, o Rubro-Negro, cuja diretoria renunciou no último fim de semana, está sendo administrado pelo presidente do Conselho Deliberativo. Luís Carlos Matos Almeida, nas últimas horas, buscou ajuda dos torcedores ao promover a campanha (rifa) “Prêmio entre Amigos”, apelando para o apoio da torcida.
“Motenses, o Brasileiro da Série D se aproxima e o Papão vai com tudo para buscar o acesso. Como apaixonados pelo nosso clube, organizamos o Prêmio entre Amigos, para auxiliar o clube nas suas despesas. Adquiram seus bilhetes (quanto mais bilhetes, mais chances de ganhar) e envie aos seus amigos e familiares. O valor de cada bilhete corresponde a apenas R$ 20,00. Prêmios: PIX de R$ 1 mil, R$ 2mil e R$ 5 mil”, diz o comunicado publicado nas redes sociais.
Hoje, o Moto deve mais da metade da folha de pagamento do mês de janeiro e a de fevereiro tem vencimento esta semana. Sem recursos e com a cota de R$ 250 mil doados pelo governo estadual bloqueados para pagamento de dívidas trabalhistas, só a ajuda de torcedores e conselheiros poderá amenizar a situação, no entendimento do dirigente.
Assembleia extraordinária será convocada
O presidente em exercício do Moto Club de São Luís, informou ontem ao O Imparcial que deverá convocar uma assembleia extraordinária para decidir como o clube será administrado a partir de agora. Segundo Luís Carlos Matos Almeida, há possibilidade do Rubro-Negro ser comandado por uma junta governativa. “Continuo, por enquanto, interinamente, mas, na sexta-feira, provavelmente, teremos uma assembleia para definirmos se será convocada uma nova eleição ou montada uma junta governativa para administrar o Moto”.
Continuo, por enquanto, interinamente, mas, na sexta-feira, provavelmente, teremos uma assembleia para definirmos se será convocada uma nova eleição ou montada uma junta governativa para administrar o Moto
Ajuda de conselheiros
Segundo o presidente do Conselho Deliberativo, no momento, estão sendo unidos esforços entre conselheiros e ex-presidentes, para que a situação seja normalizada o mais breve possível. “Nós estamos unindo esforços, com os ex-presidentes Vitor Pflueger, Iglesias e Hans Nina, os conselheiros Alexandre Rocha, Otávio Soeiro, Romel Amin e Raposo, Doutor Carvalho e o senador João Alberto, para tentar resolver essa situação, porque está muito difícil, viu?”, enfatizou o dirigente.
Pior do que antes
Analisando a situação do momento, Luís Carlos diz que está muito mais difícil do que ele imaginava. “A situação que encontramos no clube é mais difícil do que nós pensávamos. Estamos tentando, de todas as formas, fazer alguma coisa. Você vê que nós estamos fazendo um sorteio de prêmios para tentar arrecadar dinheiro, porque a situação financeira que encontramos no clube está muito delicada, bastante delicada mesmo”.
Dinheiro bloqueado
“Com os recursos bloqueados, por falta de acompanhamento jurídico fica pior, mesmo porque se estivessem bem acompanhados juridicamente, os recursos que o Moto ia receber, o clube não estaria nessa situação. Mas acontece, né? Lá pra frente vamos tentar fazer alguma coisa e colocar o time para disputar a Série D”, finalizou.
Tudo parado
A última segunda-feira deveria ser de reapresentação dos jogadores à comissão técnica que continuará sendo comandada pelo técnico Fernando Tonet. Todavia, com os salários em atraso, alguns profissionais já querem mesmo é deixar o clube. As negociações prosseguem. Por isso, tudo foi adiado. Outros já foram embora e foram atuar fora do estado. A tendência é ser montado um elenco de acordo com a realidade financeira do momento.
Com os recursos bloqueados, por falta de acompanhamento jurídico fica pior, mesmo porque se estivessem bem acompanhados juridicamente, os recursos que o Moto ia receber
Ameaça de morte
O ex-presidente Artur Cabral disse em entrevista, que deixou o clube a pedido de seus familiares, pois vinha sendo vítima até de ameaça de morte por parte de pessoas que se dizem torcedores do Moto, em mensagens enviadas por celular. Todavia, não adiantou se teria comunicado o fato à polícia, e apenas desejou que o Moto volte a ter paz e se reorganize. Sua saída também foi causada por pressões de integrantes de torcidas organizadas e de um grupo formado por 33 conselheiros por meio de ofícios encaminhados ao Conselho Deliberativo.
