Após ordenar uma operação militar na Venezuela que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra a Colômbia e afirmou que uma eventual nova ação militar no país sul-americano “soa bem” para ele.
A declaração foi feita no domingo (4), a bordo do avião oficial dos governo dos EUA. Ao falar com a imprensa, Trump afirmou que a Colômbia estaria “muito doente” e acusou o governo do país de ser comandado por “um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. Em tom de ameaça, completou: “E não vai continuar fazendo isso por muito tempo”.
As falas foram direcionadas ao presidente colombiano Gustavo Petro, o primeiro chefe de Estado de esquerda do país. Na mesma entrevista, Trump também criticou o México. “Temos que fazer alguma coisa em relação ao México, o país precisa se organizar”, disse.
A reação do governo colombiano foi imediata. Ainda no domingo, Gustavo Petro repudiou publicamente as ameaças e acusações feitas por Trump, que classificou como infundadas. O presidente também condenou a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e acusou Washington de “sequestrar” Nicolás Maduro, capturado em Caracas após bombardeios realizados na madrugada de sábado.
“Meu nome não aparece nos arquivos judiciais sobre narcotráfico. Pare de me caluniar, senhor Trump”, escreveu Petro em publicação na rede social X.
Em nota oficial, a Chancelaria da Colômbia classificou as declarações do presidente norte-americano como uma “ingerência inaceitável” e exigiu “respeito” à soberania do país.
Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, as relações entre Washington e Bogotá têm sido marcadas por atritos frequentes, especialmente em temas como política tarifária e migração. Apesar de serem aliados militares e econômicos estratégicos na região, Colômbia e Estados Unidos atravessam o momento mais delicado de sua relação bilateral nos últimos anos.
* Fonte: Correio Braziliense
