Após meses de tentativas de diálogo sem avanços significativos, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (STTREMA) sinalizou que a categoria pode a decretar paralisação total do sistema na Região Metropolitana de São Luís nos próximos dias.
Impasse nas negociações
O movimento começou de forma antecipada em novembro de 2025, quando o sindicato enviou a proposta da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) de 2026 ao Sindicato das Empresas de Transportes (SET). No entanto, desde o início de janeiro, as reuniões entre as entidades não resultaram em contrapropostas que atendam às reivindicações dos trabalhadores.
O principal ponto de conflito, além das cláusulas financeiras, é uma tentativa da classe patronal de fragmentar a categoria. O SET propôs a criação de duas convenções distintas: uma para o sistema urbano e outra para o semiurbano. A proposta foi rejeitada de imediato pelo presidente do STTREMA, Marcelo Brito.
“A categoria é uma só e todos os trabalhadores possuem direitos iguais. Não aceitaremos essa divisão que prejudica a unidade dos rodoviários”, afirmou Brito. Com o prazo das negociações se aproximando do fim, a pressão sobre o setor patronal aumentou. Os trabalhadores exigem definições claras sobre:
- Reajuste salarial para todas as funções;
- Aumento no valor do ticket alimentação;
- Manutenção de direitos já conquistados em convenções anteriores.
“Iremos cruzar os braços”
Segundo Marcelo Brito, os empresários estão “ganhando tempo” enquanto o prazo legal se esgota. O tom da liderança sindical é de alerta máximo. “Ressalto que o prazo previsto está terminando. Caso as cláusulas econômicas não sejam definidas, iremos sim cruzar os braços. Os rodoviários merecem respeito e não vamos abrir mão dos nossos direitos”, destacou o presidente.
Caso a paralisação seja confirmada, todo o sistema de transporte da capital e dos municípios da Grande São Luís (São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa) será afetado, impactando centenas de milhares de passageiros que dependem diariamente dos ônibus.
Até o fechamento desta matéria, o Sindicato das Empresas de Transportes (SET) não havia se manifestado oficialmente sobre as declarações do STTREMA.
