Em 2023, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que o risco de um conflito com armas de destruição e massa, como as bombas norte-americanas jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki na década de 1940, era o maior desde o período da Guerra Fria. Cerca de três anos depois, a situação piorou após o fim de um tratado entre as duas maiores potências nucleares do mundo: Estados Unidos e Rússia.
Armas nucleares pelo mundo
- Atualmente, nove países possuem armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.
- De acordo com relatório da Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (ICAN), o gasto com armas atômicas atingiu um recorde em 2024, e ultrapassou US$ 100 bilhões.
- O valor gasto com armas em destruição em massa em 2024 significa mais de US$ 190 mil por minuto.
- No último ano, Índia e Paquistão entraram em confrontos direitos, com direito a combater de caças. Caso a guerra tivesse se instaurado, o conflito poderia envolver cerca de 342 armas nucleares.
O tratado nuclear, cuja primeira versão foi assinada em 1979, visava limitar aos arsenais de armas atômicas dos Estados Unidos e Rússia, e conseguiu sobreviver por quase cinco décadas — apesar da rivalidade histórica e mudanças políticas nos dois países.
A última versão do acordo foi assinada em 2010, pelos ex-presidentes dos Estados Unidos e Rússia, Barack Obama e Dmitry Medvedev. Na época, o pacto ficou conhecido como Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, ou simplesmente New START.
Com a atualização do tratado, ficou estabelecido que ambos os países poderiam possuir, no máximo, 1.550 ogivas nucleares estratégicas, e 700 armas de longo alcance. Além disso, Washington e Moscou se comprometeram a permitir inspeções, e a realizarem notificações prévias sobre lançamentos de mísseis balísticos.
A previsão era de que o New START tivesse duração de 10 anos, mas o mesmo foi estendido em 2021, pouco antes do início da guerra entre Rússia e Ucrânia. O conflito, contudo, acabou se tornando um dos motivos para o fim do acordo.
Depois do início dos combates, o governo da Rússia decidiu suspender sua participação no New START. Segundo o presidente Vladimir Putin, a medida era uma retaliação direta ao apoio financeiro e militar norte-americano para o país liderado por Volodymyr Zelensky.
Ao mesmo passo em que as relações entre os dois países se deterioravam, negociações para a renovação do acordo nuclear estagnaram. Mas, depois da vitória de Donald Trump contra nas eleições presidenciais dos EUA em 2024, a situação mudou.
Se durante a administração Biden o diálogo entre Washington e Moscou era quase que inexistente, a vitória de Trump abriu uma nova era na relação entre os dois países. Com isso, tiveram início contatos diplomáticos, voltados principalmente para buscar soluções pacíficas para a guerra da Ucrânia.
Foi neste contexto que, em setembro do último ano, Putin propôs estender o New START até 2027. Mas, segundo o Kremlin, a sugestão foi ignorada pela administração Trump, apesar das falas do líder norte-americano sobre discutir a desnuclearização com Rússia e China.
Washington não comentou imediatamente o fim do pacto nuclear. Trump, por sua vez, defendeu que um novo acordo “aprimorado e modernizado que possa durar por muito tempo no futuro” deve ser negociado com Moscou.
Enquanto negociações não são iniciadas, especialistas alertam que o risco de uma catástrofe mundial se aproxima.
No fim de janeiro, os ponteiros do relógio do “juízo final” voltaram a ser ajustados, e agora marcam 85 segundos para a extinção humana — o mais próximo que o marcador já chegou desde que o projeto foi criado pela organização Bulletin of the Atomic Scientists, focada em questões de segurança global.
De acordo com a lógica do relógio, concebido por cientistas responsáveis pela criação da primeira bomba atômica do mundo, quanto mais perto os ponteiros estiveram da meia-noite, mais próximo a humanidade se aproxima de uma catástrofe.
