O boletim de ocorrência registrado pela família da empresária Ariene Rodrigues Pereira, natural de Pinheiro, informa que ela deu entrada na clínica particular por volta das 8h de terça-feira (20). Ela passou por um procedimento de lipoaspiração, que teria transcorrido sem intercorrências aparentes no início. O boletim registra a morte como “a esclarecer sem indício de crime”.

Manobras de reanimação na paciente
No entanto, por volta das 18h, ainda de acordo com o boletim, a paciente apresentou uma parada cardiorrespiratória súbita. De acordo com o relatório médico, foram realizadas manobras de reanimação por cerca de 90 minutos, com uso de medicações e desfibrilação, mas a empresária não respondeu aos procedimentos.
Morte da empresária é declarada por volta das 20h
A morte foi declarada por volta das 20h. O boletim de ocorrência aponta que Ariene possuía condições clínicas pré-existentes, como hipotireoidismo, além de fazer uso contínuo de medicação. A família, porém, afirma que ainda não recebeu confirmação sobre a realização de exames prévios ou avaliação de risco cirúrgico antes da cirurgia.
Advogada da família aponta divergências e incoerências
O prontuário médico só foi entregue à família após a chegada da advogada da família Vivian Bauer, após as 23h. A defesa relata que identificou divergências e incoerências nas informações repassadas, que deverão ser apuradas durante a investigação.
O que diz o Conselho Regional de Medicina do Maranhão
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) informou que, até o momento, não recebeu denúncia formal sobre o caso. O órgão afirmou que realiza um levantamento inicial para avaliar as circunstâncias da morte e decidir se serão adotadas medidas institucionais.
Médico nega erro em caso de morte de empresária
O médico Alexandre Augusto Gomes Alves, responsável pelo procedimento de lipoaspiração que resultou na morte da empreendedora Ariene Rodrigues, publicou uma nota de esclarecimento na noite dessa quarta-feira (21), por meio das redes sociais, em documento que também conta com a assinatura do advogado de defesa.
Na nota, Alexandre Augusto apresentou a sua defesa técnica do caso, informando que seguiu rigorosamente todos os protocolos de segurança e que os exames pré-operatórios não indicavam riscos para a saúde da mulher.
De acordo com a publicação feita por Alexandre Augusto e seu advogado, a causa da morte de Ariene Rodrigues foi uma embolia pulmonar maciça, classificada pela defesa como uma fatalidade inevitável e sem relação com erro médico. O texto também ressalta que a paciente estava ciente dos riscos inerentes ao processo, por meio de um termo de consentimento.
Por fim, a defesa de Alexandre Augusto expressou solidariedade aos familiares de Ariene Rodrigues, enquanto reafirma a competência profissional e a diligência do médico durante o atendimento.
Leia a nota de esclarecimento do doutor Alexandre Augusto Gomes Alves na íntegra:
“Eu, Lymark Kamaroff, advogado, regularmente inscrito na OAB/RJ sob o nº 109.192, venho, por este intermédio, na qualidade de patrono do Dr. Alexandre Augusto Gomes, médico regularmente inscrito no CRM sob o nº 4463, em função da solicitação de esclarecimentos pela mídia, referente ao caso da paciente Ariene Rodrigues, expor suas razões da seguinte forma:
Inicialmente, cumpre dizer que não podemos entrar especificamente no mérito do procedimento realizado pela paciente Ariene Rodrigues, tendo em vista o sigilo profissional que é imposto ao médico pelo Código de Ética Médica, mas que diante dos fatos, faz-se importante esclarecer o seguinte:
1 – Que lamentamos muito o ocorrido, mas não há culpa por nexo de causalidade entre a fatalidade que acometida pela paciente e atuação do Dr. Alexandre, que sempre agiu diligentemente, seguindo os padrões preconizados pela boa técnica, mas que infelizmente a mesma foi vítima de uma embolia pulmonar maciça conforme consta do laudo de necrópsia que já é de conhecimento público;
2 – Que todas as pacientes do Dr. Alexandre assinam um termo de consentimento livre e esclarecido para a possibilidade de ocorrer um evento adverso, que pode ser uma complicação ou intercorrência, conforme o presente caso;
3 – Que a paciente não tinha qualquer comorbidade ou contraindicação para a cirurgia planejada, todos os exames foram realizados e não apontavam qualquer impencílio ou contraindicação para o ato cirúrgico, bem como todas as etapas da cirurgia foram cuidadosamente planejadas e executadas, seguindo os mais rigorosos padrões de segurança e qualidade.
Ao que consta a paciente foi vitimada por uma fatalidade, que nada tem haver com qualquer falha do profissional, que prestou todo o atendimento e não poupou esforços para tentar evitar este fatídico desfecho.
Aproveitamos para mandar, em nome do Dr. Alexandre e de toda a sua equipe, a nossa solidariedade para os familiares da Sra. Ariene, aos quais vão nossas preces e todo o nosso carinho e respeito.
Era o que tínhamos a informar, me colocando a disposição para prestar, dentro da limitação legal imposta, maiores informações”.
O que diz a Policlínica Ibirapuera
Investigação do caso
As circunstâncias envolvendo o procedimento e a morte ainda estão sendo apuradas. Em nota, a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) afirmou que o caso está sendo investigado pelo 13º Distrito Policial do Cohatrac.
Leia a nota da Polícia Civil na íntegra:
“A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informa que o caso está sendo investigado pelo 13º Distrito Policial do Cohatrac.
Nos próximos dias serão intimadas testemunhas, familiares, bem como os profissionais do hospital responsáveis pelo procedimento, a fim de contribuir com o esclarecimento dos fatos.
Paralelamente, o distrito policial irá requisitar as perícias necessárias, cujos resultados deverão auxiliar no aprofundamento das investigações e na completa elucidação do caso”.
Fonte: G1MA

