A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara (Psol), vai deixar o cargo no governo federal para disputar as eleições e tentar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. Depois de três anos à frente da pasta, a decisão marca o retorno dela ao processo eleitoral.
Natural da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, Sonia construiu sua trajetória na defesa dos povos originários. É formada em letras e enfermagem, com especialização em educação especial pela Universidade Estadual do Maranhão. Em 2018, ganhou projeção nacional ao disputar a Vice-Presidência na chapa de Guilherme Boulos (Psol). Já em 2022, foi eleita deputada federal por São Paulo, tornando-se a primeira indígena a representar o estado na Câmara.
A troca no comando do ministério já está definida e deve acontecer nesta terça-feira, 31. O atual secretário-executivo, o advogado Eloy Terena, assume a função. Ele é próximo de Guajajara e também tem atuação ligada à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Criado no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ministério dos Povos Indígenas foi uma das promessas de campanha e teve Sonia Guajajara como principal nome desde o início. Ainda nos primeiros meses de gestão, o governo retomou a homologação de terras indígenas, com seis áreas reconhecidas em abril de 2023, após um período de paralisação.
Ao longo da passagem pelo ministério, também houve articulação para a homologação de 20 terras indígenas e a publicação de 21 portarias declaratórias. Mesmo com dificuldades políticas e limitações no Congresso, a gestão buscou avançar na estruturação de políticas voltadas aos povos indígenas.
