Cúpula da Câmara fecha acordo para excluir redução da maioridade penal da PEC da Segurança

Cúpula da Câmara fecha acordo para excluir redução da maioridade penal da PEC da Segurança

Justiça

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o relator da PEC da Segurança Pública, Mendonça Filho, selaram um acordo nesta quarta-feira (4) para retirar o trecho que previa um plebiscito sobre a redução da maioridade penal do texto principal da proposta. A decisão foi tomada após intensas negociações com líderes partidários que temiam que o tema da consulta popular “contaminasse” e travasse a votação da reforma estrutural da segurança, que é considerada uma das prioridades do governo federal. Como contrapartida, Motta comprometeu-se a dar andamento a uma proposta específica sobre a redução da maioridade penal na Comissão de Constituição e Justiça, que também deverá ser relatada por Mendonça Filho.

Com a retirada do ponto polêmico, o texto da PEC da Segurança deve avançar com foco na modernização e ampliação das competências das forças federais. O relator confirmou que serão mantidos os pilares defendidos pelo Ministério da Justiça, como o fortalecimento da Polícia Federal no combate a facções criminosas e crimes ambientais.

Além disso, a Polícia Rodoviária Federal terá seu escopo ampliado para atuar em ferrovias e hidrovias, transformando-se em uma instituição com maior alcance territorial. O acordo preserva a autonomia dos estados, equilibrando o desejo inicial da União de centralizar a definição de políticas públicas e a distribuição de verbas do setor.

Hugo Motta defendeu que a discussão sobre a maioridade penal para 16 anos é importante, mas deve ser deliberada pela Câmara de forma individualizada, sem interferir na criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e em outras mudanças institucionais. A expectativa é que, com este entrave removido, a comissão especial possa votar o texto ainda esta semana.

A estratégia política visa garantir que as reformas operacionais das polícias não fiquem reféns de debates ideológicos mais amplos, permitindo que o marco legal da segurança avance com maior consenso entre os parlamentares e o Poder Executivo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *