Não resistindo às pressões de conselheiros e torcedores, o presidente do Moto Club de São Luís, Artur Cabral Marques, renunciou ao cargo na tarde desta sexta-feira (27). Em uma longa carta em que faz um balanço desde quando assumiu o cargo em outubro, o dirigente relata a situação em que encontrou o clube, a luta para estabilizar a administração, as dificuldades enfrentadas, ao mesmo tempo em que criticou os que vinham pedindo sua saída.
Segundo Cabral, ao assumir a situação do clube era grave. “Salários de funcionários atrasados, ausência de receitas, despesas com futebol de base sem provisão de recursos, Centro de Treinamento em más condições de conservação e uso, e um calendário de futebol profissional em 2026, desanimador, que previa somente a participação no campeonato estadual do ano seguinte”, destacou.
Depois de afirmar que mesmo sem recursos para a contratação de jogadores e comissão técnica, manutenção do CT, e alojamento e manutenção de atletas, conseguiu superar alguns problemas, graças à previsão de recursos com a inclusão do clube no ranking nacional da Série D do Brasileiro, Cabral relatou que ainda assim, quebrando uma rotina do passado, instaurou uma política de responsabilidade financeira, com limitação de folha salarial, redução de gastos em todas as instâncias e medidas de aumento de receitas.

Contrariou interesses
Ao destacar a boa campanha do clube no Estadual, onde chegou às semifinais, apesar das dificuldades financeiras, Cabral reconhece que teve o apoio de alguns conselheiros. “As medidas adotadas parecem ter contrariado interesses diversos dentro do Conselho Deliberativo, pois este iniciou uma campanha de críticas ferozes, quando não insultos dirigidos principalmente ao Presidente do clube no grupo de Whatsapp do Conselho”, continuou.
Dívidas milionárias
O presidente do Moto reafirmou o que já havia revelado nos últimos dias à reportagem do jornal O IMPARCIAL, sobre as dívidas do clube. “Durante o decorrer deste curto espaço de gestão realizamos levantamento das dívidas acumuladas do clube, que chegam a este momento a mais de R$ 10 milhões em ações trabalhistas e a mais de R$ 2 milhões em dívidas tributárias e civis. As ações trabalhistas continuaram chegando em nossa gestão. Para surpresa nossa, uma informação da Federação Maranhense de Futebol indicava que o clube tinha em torno de R$ 200 mil em dívidas de taxas não pagas desde 2021. Fato este que nos levou a protocolar um pedido de detalhamento de dívidas do clube na FMF”.
Segundo o agora ex-presidente, a cada dia novas dívidas do clube são reveladas e com mais surpresas, o que caracteriza além de uma insolvência financeira uma situação pré-falimentar cujas medidas de reversão têm sido adiadas há anos, e só aumentam o montante devedor. “Infelizmente, o passado recente do clube de irresponsabilidade financeira pesou mais uma vez e os depósitos bancários da Lei de Incentivo destinados ao Moto Club foram bloqueados por ações trabalhistas, apesar de serem impenhoráveis, e cuja reversão está a cargo de banca de advogados”.
Cabral admite que cometeu alguns erros, agradeceu o apoio dos conselheiros e finalizou alertando: “Enfim, cabe uma reflexão aos conselheiros, boa parte presente no clube há pelo menos uma década. Qual a parcela de contribuição que este Conselho tem na atual situação falimentar e de insolvência do clube? Porque mandatos de diretores são de apenas 2 anos e não explicam esta atual situação nem por um mandato nem por um período tão curto quanto 3,5 meses”.
Novas eleições?
Como o vice-presidente Vitor Sardinha também já havia renunciado ontem, de acordo com o Estatuto, na vacância dos dois cargos assume o presidente do Conselho Deliberativo, Luís Carlos Matos Almeida, que convocará uma assembleia extraordinária para que sejam realizadas novas eleições. Ao O IMPARCIAL, ele falou que não havendo candidato, será constituída uma Junta Governativa que permanecerá no comando do clube até que aconteça um novo pleito.
“Tudo vai depender dos meus pares, daquilo que vamos conversar para sabermos se constituímos uma Junta ou se realizamos uma nova eleição caso apareça candidatos. Amanhã, sábado, já teremos uma reunião com o departamento de futebol para sabermos o que pode ser feito, uma vez que são muitas demandas, principalmente problemas financeiros”.
