Maranhão inicia plano para substituir lenha por gás natural na indústria do gesso

Maranhão inicia plano para substituir lenha por gás natural na indústria do gesso

Economia
Encontro, no auditório da SEDEPE, contou com representantes da FIEMA, SENAI-PE e SENAI-MA para agenda do setor

A substituição da lenha pelo gás natural na produção de gesso pode representar um divisor de águas para a indústria maranhense. Com esse objetivo, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos (SEDEPE) reuniu representantes do SENAI Maranhão e Pernambuco, da FIEMA, da SEINC e da GASMAR para iniciar a construção de um plano de transição da matriz energética do polo gesseiro maranhense.

O encontro, realizado no mês passado, marcou o início de uma agenda estratégica que busca reproduzir no Maranhão a experiência bem-sucedida do Polo Gesseiro do Araripe, Pernambuco, responsável por mais de 90% da produção nacional de gesso e referência na adoção do gás natural como combustível dos fornos de calcinação.

Mais do que uma mudança tecnológica, a proposta representa uma transformação estrutural, capaz de elevar a competitividade da indústria, reduzir impactos ambientais e preparar o Maranhão para uma nova fase de desenvolvimento industrial.

Durante a reunião, especialistas do SENAIpernambucano apresentaram estudos técnicos, resultados obtidos e os desafios enfrentados no processo de migração da lenha para o gás natural.Segundo o coordenador de Energia e Sustentabilidade do SENAI-PE, Ricardo Moura, o intercâmbio entre os dois estados permitirá acelerar esse processo no Maranhão.

“A gente trouxe toda a experiência acumulada em Pernambuco, mostrando os estudos realizados, os resultados alcançados, as vantagens e os desafios da mudança de matriz energética. Agora começamos a construir, junto ao Governo do Estado, à GASMAR, à ENEVA e aos empresários, o melhor caminho para tornar esse projeto viável no Maranhão”, destacou.

Moura também apresentou o Projeto Potencialize, iniciativa nacional voltada à eficiência energética em processos térmicos industriais, financiada inicialmente por uma cooperação internacional e atualmente incorporada ao Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel)De acordo com ele, o programa poderá contribuir diretamente para financiar melhorias tecnológicas nas indústrias maranhenses.

Atualmente, a indústria do gesso no Maranhão utiliza predominantemente lenha como combustível dos fornos. Embora legalmente licenciada, essa matriz enfrenta desafios relacionados ao abastecimento, à burocracia ambiental, à eficiência energética e aos impactos ambientais. A adoção do gás natural promete mudar esse cenário.

Além de proporcionar uma combustão mais limpa e controlada, o combustível reduz consideravelmentea emissão de fuligem, resíduos e partículas em suspensão, melhora as condições de trabalho, aumenta a produtividade industrial e proporciona maior padronização da qualidade do produto final.

Na avaliação de Joeder Oliveira, presidente do Sindicato das Indústrias de Gesso e Calcário do Estado do Maranhão (SINDUGESSO-MA), com base em Grajaú, a articulação conduzida pela SEDEPE foi decisiva para iniciar um processo de transformação aguardado há anos pelo setor.

Com enorme satisfação e reconhecimento ao empenho de todos da SEDEPE, começamos a tratar desse assunto. Esse foi o pontapé inicial que estávamos precisando para promover essa mudança de matriz energética, não apenas para a cadeia do gesso, mas para diversos outros segmentos industriais.”

Segundo ele, a transição para o gás natural exige planejamento, articulação entre as instituições e comprometimento de todos os envolvidos para que o projeto seja implementado de forma segura e sustentável.

“E o que podemos deixar pronto é um planejamento bem estruturado, com etapas que temos que acompanhar, e o projeto de execução dessas ações pronto, disponível aos entes participantes, pois esse é um projeto que demandará um tempo considerável a partir dessas tratativas. Estamos juntando todas as tratativas anteriores e iremos viabilizar o nosso Estado como polo de desenvolvimento utilizando o gás natural”, concluiu.

Os benefícios vão além da indústria. A expectativa é que a nova matriz energética fortaleça o Distrito Industrial de Grajaú, estimule novos investimentos privados e impulsione a geração de emprego e renda. Outro impacto esperado está na qualificação da mão de obra. A parceria entre SENAI-MA e SENAI-PE permitirá a formação de profissionais especializados para atender às novas demandas tecnológicas da indústria.

Como resultado da reunião, já foi definida uma nova rodada de discussões para o dia 6 de agosto, desta vez com a participação da ENEVA, principal produtora de gás natural do estado. O objetivo será aprofundar os estudos sobre a viabilidade técnica, econômica e logística da expansão da oferta de gás para atender o polo gesseiro de Grajaú.

Para o secretário-adjunto da SEDEPE, José Domingues Neto, a troca de experiências com Pernambuco representa uma oportunidade de modernizar a indústria do gesso no Maranhão, promovendo ganhos ambientais, econômicos e sociais por meio da transição para uma matriz energética mais limpa.

Aqui no Maranhão, todas as nossas indústrias ainda utilizam a lenha e, naturalmente, essa lenha é obtida por meio da vegetação do Cerrado. O que queremos, por meio dessa iniciativa, é fazer com que todos os aprendizados adquiridos na região de Pernambuco e os avanços alcançados lá também aconteçam aqui no Maranhão. Só temos a ganhar com isso, do ponto de vista ambiental, econômico, da saúde dos trabalhadores e da qualidade do produto final de gesso obtido ao término de todo o processo de produção”.

Segundo Domingues, a SEDEPE seguirá articulando governo, setor produtivo e instituições parceiras para consolidar uma agenda de descarbonização da indústria maranhense e criar as condições necessárias para que a transição energética se torne realidade nos próximos anos.

Participaram da reunião o secretário-adjunto da SEDEPE, José Domingues, a equipe técnica da SEDEPE e representantes das instituições parceiras: Roberta Tamus, coordenadora técnica executiva da FIEMA; Cesar Miranda, superintendente da FIEMA; Lenka Rêgo, assessora técnica do SENAI; Ricardo de Moura, coordenador de Energia e Sustentabilidade do SENAI-PE; Fernanda Magalhães, especialista em Meio Ambiente e Sustentabilidade do SENAI-PE; Daniel Maia, da SEINC; Pedro Sarubo, gerente de Engenharia e Comercial da GASMAR; e Geraldo Carvalho, coordenador de Assuntos Estratégicos da FIEMA.

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