Crédito de carbono avança no agronegócio, mas adesão prática ainda é de 24% entre produtores

Crédito de carbono avança no agronegócio, mas adesão prática ainda é de 24% entre produtores

Economia

O mercado de crédito de carbono começa a consolidar sua presença no agronegócio brasileiro, embora o nível de implementação prática ainda enfrente barreiras significativas. De acordo com a 9ª edição da Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, conduzida pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), apenas 24% dos produtores rurais que conhecem o mecanismo participam efetivamente de iniciativas do setor. O estudo indica que, apesar de 34% dos entrevistados afirmarem saber do que se trata o tema, a conversão desse conhecimento em ações concretas ainda é restrita.

Entre os produtores que já operam com foco em carbono, a conservação de áreas naturais lidera as ações com 66% de adesão, seguida pelo uso de técnicas agrícolas sustentáveis e projetos de reflorestamento.

Para Ricardo Nicodemos, presidente da ABMRA, o cenário revela uma lacuna na comunicação técnica, já que muitas práticas rotineiras das propriedades poderiam ser conectadas a essas agendas emergentes para gerar retorno financeiro e ambiental.

A preocupação com o clima é quase unânime: 86% dos produtores acreditam que as mudanças climáticas afetarão diretamente a produtividade. Entretanto, o avanço em direção à sustentabilidade esbarra em entraves estruturais, como o acesso limitado a recursos, a carência de assistência técnica e a incerteza sobre a rentabilidade das iniciativas.

A pesquisa aponta que a visibilidade das boas práticas já executadas no campo é essencial para fortalecer a imagem do produtor e incentivar a transição para modelos mais verdes.

O levantamento também traça um perfil de profissionalização do setor. A idade média do produtor brasileiro é de 48 anos, com 61% tendo herdado a atividade da família. Ao mesmo tempo, o nível de conhecimento técnico saltou de 24% em 2021 para 43% em 2025.

O estudo, que ouviu 3.100 produtores em 16 estados, destaca ainda a valorização da diversidade, com 98% dos entrevistados reconhecendo a importância vital da participação feminina na gestão das propriedades rurais.

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