Maranhão inaugura primeira escola técnica integral em território quilombola do Brasil

Maranhão inaugura primeira escola técnica integral em território quilombola do Brasil

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O Maranhão consolidou uma posição de vanguarda na educação pública brasileira nesta sexta-feira (27) com a inauguração do IEMA Pleno Quilombola de Alcântara, na comunidade de Oitiua. A unidade é o primeiro Centro de Ensino Médio em Tempo Integral com Educação Profissional e Tecnológica (EPT) do país implantado estruturalmente dentro de um território quilombola. A cerimônia, que contou com a presença do Governador Carlos Brandão, da Diretora-Geral do IEMA Cricielle Muniz e do prefeito Nivaldo Araújo, simboliza um avanço na democratização do acesso ao conhecimento ao levar formação técnica de alto nível para uma das regiões mais tradicionais e historicamente invisibilizadas do estado.

Diferente de outras experiências de ensino integral, esta iniciativa integra o currículo básico à qualificação técnica de forma indissociável, focando na inserção produtiva da juventude local. O IEMA Quilombola inicia suas atividades atendendo 80 estudantes em cursos de Agroecologia e Informática para Internet, escolhas estratégicas que buscam conectar as vocações da terra com as demandas da era digital.

A estrutura entregue é completa, contando com laboratórios modernos, biblioteca, auditório e espaços esportivos, garantindo que o aprendizado ocorra em um ambiente de alta tecnologia sem perder o vínculo com as raízes ancestrais da comunidade.

A implantação desta unidade faz parte de uma política de expansão acelerada do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA). Entre 2023 e 2026, a rede saltou de 34 para 58 unidades plenas, alcançando 44 municípios e projetando um atendimento de 25 mil matrículas.

Esse crescimento é acompanhado por indicadores positivos na educação estadual, como o alcance da meta de 4,5 no IDEB e a redução drástica da evasão escolar para apenas 0,31%, números que a gestão estadual atribui à interiorização do ensino técnico e ao diálogo fortalecido com as comunidades.

Para a comunidade de Oitiua, o novo IEMA representa mais do que um prédio de alvenaria; é a concretização de um direito histórico e uma ferramenta de justiça social. Durante a inauguração, apresentações de Tambor de Crioula e Capoeira reforçaram que a identidade quilombola é o alicerce do projeto pedagógico da escola.

Ao garantir que jovens como a estudante Dandara Cristina possam estudar perto de casa com padrão de excelência, o estado reafirma o compromisso de que o quilombo não é apenas um lugar de memória, mas um polo de inovação, ciência e futuro para o Brasil.

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