Crise entre EUA e Irã ameaça barateamento de ovos e carnes no Brasil

Crise entre EUA e Irã ameaça barateamento de ovos e carnes no Brasil

Internacional

O conflito geopolítico no Oriente Médio começou a projetar sombras sobre as gôndolas dos supermercados brasileiros, ameaçando interromper a trajetória de queda nos preços das proteínas animais. Segundo um alerta emitido pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a instabilidade entre Estados Unidos e Irã atingiu em cheio os custos logísticos do setor. A disparada no preço do óleo diesel já provocou um reajuste de 20% nos fretes rodoviários, encarecendo tanto o transporte de insumos para as granjas quanto a distribuição final de ovos, frango e carne suína para os centros de consumo.

O impacto vai além do combustível. A interrupção do fluxo comercial no Estreito de Ormuz — via estratégica por onde circula 20% do petróleo mundial — gerou uma crise de suprimentos na indústria de plásticos. Como resultado, o custo das embalagens derivadas de petróleo já registra uma alta de 30%, somando-se à pressão sobre fertilizantes e medicamentos veterinários.

De acordo com a ABPA, este cenário de custos inflacionados torna inevitável o repasse de preços ao consumidor nos próximos dias, o que pode reverter o alívio sentido pelas famílias brasileiras nos últimos meses.

Este novo ciclo de alta surge em um momento de deflação para o setor. Dados do IPCA mostram que o preço dos ovos, por exemplo, acumulava uma queda de 10,8% nos últimos 12 meses, impulsionado por uma produção recorde que saltou de 57,7 bilhões de unidades em 2024 para 62,2 bilhões em 2025.

A carne de porco e o frango também vinham registrando recuos modestos em seus preços, favorecendo o consumo médio do brasileiro, que chegou à marca de 287 ovos por pessoa no ano passado. Agora, o equilíbrio entre oferta e demanda nacional corre o risco de ser desestabilizado pelo “custo de guerra” importado do exterior.

Enquanto o mercado interno se prepara para o aumento, as exportações brasileiras de ovos continuam em ritmo acelerado, registrando um crescimento de 16,3% em volume e de 25,1% em receita em fevereiro. No entanto, a ABPA ressalta que o setor é altamente dependente da estabilidade global para manter a competitividade.

Caso as hostilidades no Golfo Pérsico persistam, o Brasil — que é um dos maiores players mundiais de proteína — enfrentará o desafio de blindar o mercado doméstico de um choque inflacionário que atinge diretamente o prato da população, especialmente nas camadas de menor renda.

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