Levantamento revela que maioria dos ministros do STF recebeu valores acima do teto constitucional

Levantamento revela que maioria dos ministros do STF recebeu valores acima do teto constitucional

Política

Um levantamento detalhado realizado pela Folha de S.Paulo revelou que seis dos dez atuais ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) receberam rendimentos que ultrapassam o teto do funcionalismo público enquanto já ocupavam suas cadeiras na Corte. Os dados, extraídos de registros do Judiciário, do Ministério Público e da Advocacia-Geral da União, apontam que a soma dessas verbas excedentes atinge aproximadamente R$ 2,8 milhões desde 2019. O montante é composto majoritariamente por benefícios retroativos e honorários de sucumbência — bônus destinados a advogados públicos —, frequentemente apelidados no meio jurídico de “puxadinhos” salariais.

No topo da lista de recebimentos extras aparece o ministro Alexandre de Moraes, com um acumulado de R$ 1.048.842,93. Logo em seguida, Gilmar Mendes registrou R$ 880.378,30 em valores adicionais. O levantamento também detalha repasses feitos aos ministros André Mendonça (R$ 491 mil), Kassio Nunes Marques (R$ 277 mil), Flávio Dino (R$ 136 mil) e Luiz Fux (R$ 52 mil).

Esses valores referem-se a direitos pecuniários originados, em muitos casos, nas carreiras de origem dos magistrados antes de ingressarem no Supremo, mas que foram liquidados durante o exercício do mandato na Suprema Corte.

A revelação dessas cifras ocorre em um momento de contradição institucional, já que o próprio STF tem adotado uma postura mais rígida contra a proliferação de “penduricalhos” no serviço público. Em fevereiro, o ministro Flávio Dino proferiu uma decisão suspendendo pagamentos que extrapolassem o teto constitucional e proibiu a criação de novas normas que gerassem benefícios similares.

Na mesma linha, o ministro Gilmar Mendes também atuou recentemente para barrar gratificações previstas em legislações estaduais, reforçando o cerco jurídico contra remunerações acessórias que desafiam o limite imposto pela Constituição.

O impacto desse levantamento reacende a discussão sobre a eficácia do teto salarial no Brasil e a transparência das folhas de pagamento de cúpula. Enquanto os ministros defendem a legalidade dos valores com base em direitos adquiridos em décadas de serviço público, a sociedade civil e órgãos de controle questionam a manutenção de privilégios financeiros em um cenário de ajuste fiscal.

A tendência agora é que a pressão por uma reforma administrativa que unifique e limite de fato os rendimentos de todas as esferas do poder ganhe novo fôlego no Congresso Nacional.

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