O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou a prisão preventiva do contador Whashington Travassos de Azevedo, apontado como um dos supostos mandantes de uma organização criminosa envolvida na venda de dados sigilosos de autoridades brasileiras.
A decisão foi assinada no dia 13 de março, mas só veio a público neste sábado (22). O investigado está detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro.
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Federal, o grupo criminoso teria acessado ilegalmente informações fiscais de ao menos 1.819 pessoas.
Os dados foram extraídos de declarações do Imposto de Renda e incluem ministros do STF, familiares, parlamentares e ex-governadores. Entre os alvos está a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
A apuração agora busca identificar se os dados obtidos foram comercializados e quem seriam os beneficiários finais das informações sigilosas.
SERVIDORES PÚBLICOS SÃO INVESTIGADOS
Durante a operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Entre os investigados estão servidores ligados ao Serviço Federal de Processamento de Dados e também à Receita Federal do Brasil.
Segundo depoimento prestado à PF, o contador admitiu ter realizado o download dos arquivos contendo os dados sigilosos.
Ele afirmou ainda que o material seria repassado a um intermediário, cuja identidade não foi revelada, que teria interesse específico em informações relacionadas a ministros do STF e seus familiares.
A Polícia Federal continua aprofundando as investigações para mapear toda a estrutura da organização criminosa, identificar outros envolvidos e esclarecer o destino final dos dados obtidos ilegalmente.
