A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta aumento médio de cerca de 8% nas tarifas de energia elétrica em 2026. A estimativa supera as previsões de inflação para o período, como o IPCA e o IGP-M, e consta na primeira edição do boletim InfoTarifas deste ano.
O principal fator para a alta é o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), ainda em fase de consulta pública. A proposta prevê R$ 52,7 bilhões, valor 7% maior que o registrado em 2025. Parte significativa desse montante será bancada pelos consumidores por meio das tarifas.
A agência também aponta crescimento expressivo dos encargos setoriais ao longo dos anos. Entre 2011 e 2026, a alta acumulada desses custos deve chegar a cerca de 300%, acima do avanço da tarifa média de distribuição no mesmo período. Em 2025, os encargos representaram aproximadamente 18% da conta de luz, com previsão de atingir 20% neste ano.
Para 2026, a CDE deve responder por um impacto médio de 4,6% na tarifa. Outro componente relevante é o financeiro, com estimativa de alta de 3,8%, influenciado por custos de contratos de energia e pelo cenário hidrológico menos favorável previsto para 2025 e 2026.
Apesar da tendência de aumento, a Aneel indica possibilidade de redução parcial nas tarifas em algumas regiões. Recursos do Uso do Bem Público (UBP) podem ser direcionados para consumidores atendidos nas áreas da Sudam e da Sudene. Caso todos os geradores elegíveis participem, a medida pode gerar descontos médios de até 10,6% nessas localidades e reduzir em até 2,9% o impacto tarifário nacional.
