O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (16), que o Brasil tem interesse em ampliar a produção de gás natural na Bolívia e aumentar o volume de importação do insumo para o país. A declaração foi feita durante visita oficial do presidente boliviano Rodrigo Paz ao Palácio do Planalto, em Brasília.
Segundo Lula, a cooperação energética entre os dois países é um dos pilares da parceria bilateral, especialmente em um cenário internacional marcado por conflitos que impactam o fornecimento global de combustíveis.
“Em um contexto internacional marcado por conflitos que ameaçam a provisão segura de combustíveis, a Bolívia permanece como uma fonte segura e mantém a condição de maior fornecedor de gás natural para o Brasil”, afirmou o presidente.
Durante o encontro, os dois líderes discutiram a possibilidade de ampliar investimentos no setor de gás natural e fortalecer a integração energética entre os países.
Lula destacou que a Petrobras tem papel histórico na cooperação energética com a Bolívia e ajudou a construir uma das experiências mais relevantes de integração energética da América Latina. Atualmente, a estatal brasileira responde por cerca de 25% da produção de gás natural boliviano.
Outro ponto destacado foi a importância do Gasoduto Brasil–Bolívia, estrutura que há décadas abastece o mercado brasileiro e contribui para o desenvolvimento da indústria energética boliviana.
Segundo o presidente brasileiro, a infraestrutura poderá ser utilizada para ampliar a integração dos mercados de gás do Cone Sul e até apoiar novos projetos industriais na Bolívia.
Conexão elétrica
Além da cooperação no setor de gás, Brasil e Bolívia também firmaram acordo para a interconexão de seus sistemas elétricos.
A proposta prevê a construção de uma linha de transmissão entre a província de Germán Busch, no departamento boliviano de Santa Cruz, e o município de Corumbá, no estado de Mato Grosso do Sul.
Segundo Lula, a iniciativa permitirá otimizar recursos energéticos disponíveis nos dois países e ampliar o acesso à eletricidade em regiões que ainda dependem de geração por diesel.
Durante a visita, também foram assinados acordos de cooperação nas áreas de turismo e de combate ao crime organizado transnacional.
O objetivo é fortalecer ações conjuntas de prevenção, investigação e repressão a crimes como tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, mineração ilegal, tráfico de armas e crimes cibernéticos.
Além disso, os presidentes discutiram possibilidades de parceria em mineração e ampliaram o diálogo sobre integração regional, comércio e investimentos.
Relação comercial
Lula destacou ainda que o Brasil é atualmente o segundo maior parceiro comercial da Bolívia, mas o volume de negócios entre os países vem diminuindo nos últimos anos.
Enquanto a balança comercial chegou a US$ 5,5 bilhões em 2013, o intercâmbio entre as duas nações somou cerca de US$ 2,6 bilhões em 2025.
Segundo o presidente brasileiro, há oportunidades de ampliar parcerias em áreas como alimentos, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja, além de cooperação em biotecnologia com apoio da Embrapa.
Nesta terça-feira (17), o presidente boliviano participará de um encontro empresarial em São Paulo com cerca de 120 empresários de seu país, com o objetivo de ampliar investimentos e oportunidades comerciais entre as duas nações.
