A mobilização teve início na sexta-feira (23) e afetou o funcionamento de 15 linhas de ônibus que atendem a Grande São Luís, como forma de protesto pelo não pagamento de direitos trabalhistas.
Com o início da regularização dos valores, parte dos trabalhadores voltou às atividades e os coletivos passaram a circular de maneira gradual.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, Marcelo Brito, o movimento não foi organizado pela entidade sindical, tendo surgido a partir da iniciativa dos próprios funcionários da empresa.
A paralisação foi motivada pela ausência do pagamento do décimo terceiro salário, do tíquete-alimentação referente ao mês de dezembro e do adiantamento salarial de janeiro, que deveria ter sido depositado no dia 20.
Durante o sábado (24), a falta de ônibus afetou diretamente mais de dez bairros da capital maranhense e também municípios da Região Metropolitana, entre eles Ipem Turu, Parque Vitória, Ribeira, Vila Isabel Cafeteira, Pedra Caída, Recanto Verde e Forquilha.
De acordo com Marcelo Brito, a retomada total da frota da empresa 1001 está condicionada à quitação completa dos valores em atraso.
Ele destacou ainda que, tradicionalmente, aos domingos, a Grande São Luís opera com uma frota reduzida de transporte público.
Já o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) informou que não houve comunicação oficial sobre a paralisação e, por isso, classificou o movimento como ilegal e abusivo.
Esta foi a terceira paralisação registrada envolvendo rodoviários da empresa 1001 nos últimos dois meses, todas motivadas por atrasos salariais e no pagamento de benefícios.
A primeira ocorreu em 14 de novembro do ano passado, quando os trabalhadores interromperam as atividades em protesto contra a falta de pagamento de salários, plano de saúde, tíquete-alimentação e outros direitos, impactando moradores de cerca de 15 bairros.
O movimento durou 12 dias e foi encerrado em 26 de novembro, após determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA), que obrigou a Prefeitura de São Luís a repassar integralmente o subsídio destinado às empresas de transporte coletivo.
Na ocasião, o município alegou que o subsídio não era repassado diretamente aos motoristas para pagamento de salários, conforme acordo anterior, e por isso defendia que não havia justificativa para a greve.
A prefeitura também informou que estava transferindo apenas 80% do valor do subsídio, sob o argumento de que apenas 80% da frota estava em operação.
O desembargador Luiz Cosmo da Silva Júnior rejeitou a proposta do município de realizar o depósito em juízo para garantir o pagamento direto aos trabalhadores e determinou que o repasse seguisse o Acordo Judicial firmado em 2024 entre a Prefeitura e o SET, com pagamento direcionado ao sindicato patronal.
A segunda paralisação aconteceu em 24 de dezembro, véspera de Natal, quando os rodoviários denunciaram novamente a falta de pagamento do 13º salário, do adiantamento salarial e do tíquete-alimentação.
Naquele momento, 162 ônibus deixaram de circular. O serviço só foi retomado no dia 28 de dezembro, após um acordo entre a categoria e o SET, que garantiu a ausência de descontos nos salários e nos benefícios referentes aos dias parados.
Paralelamente às paralisações, seguem as negociações trabalhistas entre rodoviários e empresas de transporte. Em novembro de 2025, o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão apresentou ao SET uma proposta de Convenção Coletiva de Trabalho para 2026.
Desde então, reuniões vêm sendo realizadas, mas, segundo a entidade que representa os trabalhadores, não houve apresentação de contrapropostas que atendam às reivindicações da categoria.
Marcelo Brito afirmou que não houve avanços nas tratativas e que a única sugestão apresentada pelo setor patronal foi a criação de convenções coletivas separadas para trabalhadores do sistema urbano e do semiurbano, proposta rejeitada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (STTREMA).
Com o prazo para fechamento da nova convenção se aproximando do fim, os rodoviários avaliam a possibilidade de uma paralisação geral de todo o sistema de transporte público da Grande São Luís, caso não haja acordo.
Fonte: Portal o Informante
