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A promessa do Obama

Tá certo que o jornal Destak é distribuído gratuitamente, com alguma informação útil. Mas nesta segunda-feira um dos textos estava de doer, desqualificando aquele ditado: “de graça até injeção na testa”! Em notícia sobre a espionagem americana li, com espanto, o seguinte parágrafo: “Ao voltar de São Petesburgo, na Rússia, Dilma afirma que Obama prometeu-a uma explicação durante a cúpula do G20″. Isso mesmo – PROMETEU-A!
Os pronomes oblíquos o(s), a(s) exercem a função de objeto direto, ao substituírem o complemento verbal não regido de preposição obrigatória. Por exemplo:
Comprei o presente para você. (Comprei o que? O presente)
Comprei-o para você.
Já o pronome oblíquo (lhe) é empregado sem preposição, pois ocupa a função de objeto indireto. Por exemplo:
Obama prometeu à Dilma. (Prometeu a quem?)
Obama prometeu-lhe.

Mas como na oração analisada há o indicativo de próclise (uso do pronome antes do verbo quando há palavras negativas) o correto é: “Ao voltar de São Petesburgo, na Rússia, Dilma afirma que Obama LHE PROMETEU uma explicação durante a cúpula do G20″.

 
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Salão do Jornalista escritor terá como tema o “livro-reportagem”.

O livro-reportagem é o tema central do Segundo Salão Nacional do Jornalista Escritor, de 6 a 8 de setembro, no Memorial das América Latina. O evento da União Brasileira dos Escritores será uma das atrações da Semana da Pátria. A programação engloba onze sessões, sempre com dois convidados e um entrevistador. Caco Barcellos, Fernando Morais, Eliane Brum, Juca Kfouri, Heródoto Barbeiro e Ricardo Kotscho são alguns dos convidados.
A curadoria é do jornalista e escritor Audálio Dantas, também idealizador do projeto, e a organização, da Mega Brasil Comunicação. Toda a programação é gratuita.

 
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Normas para trabalhos acadêmicos

Quem é estudante precisa lidar no dia a dia com o uso das normas técnicas que padronizam a apresentação de trabalhos acadêmicos. São tantos detalhes que nem sempre a tarefa é fácil. Para ajudar a aplicar corretamente as regras, a Biblioteca de São Paulo oferece no mês de setembro duas edições de uma oficina especial sobre o tema.

A “Oficina de normalização de trabalhos acadêmicos” tem como objetivo orientar estudantes a respeito de padronização e elaboração de TCCs, dissertações, teses, artigos e pôsteres, tudo de acordo com as normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. O curso é composto por 4 aulas, realizadas nos dias 15 e 26 de setembro (quintas-feiras), das 18h30 às 19h30; e 21 e 28 de setembro (sábados), das 15h30 às 16h30.

As inscrições podem ser feitas até 11/9, pelo e-mail agenda@bsp.org.br ou no balcão de atendimento da biblioteca (de terça a sexta-feira, das 9h30 às 17h30). A inscrição é gratuita, mas as vagas são limitadas.

SERVIÇO
BIBLIOTECA DE SÃO PAULO
Parque da Juventude – Av. Cruzeiro do Sul, 2.630 Santana.
Acesso pelo metrô Carandiru
Funciona de terça a sexta das 9h às 21h.
Sábados, domingos e feriados das 9h às 19h.
Todas as atividades da BSP são gratuitas.
www.bsp.org.br | (11) 2089-0800

 
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Tradução? Não do português para o português. Aqui você aprende a dizer o que quer dizer.

Em minha experiência como professora de redação já observei inúmeros exemplos de textos que precisam ser traduzidos: do português para o português. Isso ocorre quando a mensagem não é clara, quando o aluno escreve sem foco e sem coerência. E qual é o resultado? Precisamos “traduzir”, do português para o português, para identificar a intenção do autor.  E qual é a principal defesa do aluno quando questiono os pontos de vista pouco claros? “Era isso que eu queria dizer, professora”. Ao que respondo: “se queria dizer por que não disse”? O pensamento desorganizado dificulta a compreensão, enquanto o texto com coerência permite uma leitura fluente. Não é preciso ler e reler para entender a mensagem.

Textos confusos, pouco objetivos, com erros de português e recheados de vícios de linguagem podem distorcer ideias na comunicação escrita. O emprego inadequado ou abusivo de clichês compromete o sentido do texto e a imagem do autor, à medida que revela falta de originalidade e pobreza de vocabulário. Sem saber como começar o texto, sem delimitação do tema e bloqueado pelo “mito da página em branco”, o redator acaba escrevendo “pérolas”, frases sem sentido e ideias ambíguas. Elabora períodos longos e recheados, porém, sem conteúdo. E a justificativa mais comum para a dificuldade de expressão é esta: “eu sei dizer, professora, só não sei colocar no papel”…

Quer escrever com fluência, correção e clareza? Dê uma olhada nos nossos cursos e oficinas.

 
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Lição de trânsito

Bastava colocar o pé na calçada, próximo à faixa de pedestres, para que os motoristas diminuíssem a velocidade e permitissem a travessia segura. A cena se repetia em cada esquina ou avenida, onde houvesse alguém disposto a circular entre os veículos. Era 10 de agosto de 2011, uma manhã fria, porém ensolarada, que permanece na memória. Difícil esquecer aquele azul intenso sobre as montanhas, que tornava o cenário ainda mais especial.
A 130 quilômetros da capital gaúcha, a pequena Canela me conduzia a um universo de contos de fadas: quedas d’água, trilhas e vales com paisagens de tirar o fôlego. Da terra do churrasco, do fondue e do chocolate trouxe mais do que fotografias ou presentes aos amigos. Veio junto o testemunho de uma convivência pacífica no trânsito, de mútuo respeito entre motoristas e pedestres.
Não voltei ao município gaúcho depois daquele 10 de agosto. A sensação onírica logo deu lugar à realidade paulistana, onde a pressa do dia a dia atropela o bom senso e a educação. Motoristas que não respeitam o sinal vermelho, pedestres que esquecem a prudência e ignoram a travessia um pouco mais segura em faixas e passarelas.
Quem anda a pé, claro, é mais vulnerável em comparação a velozes automóveis, motos, ônibus e caminhões. E se expõe ao risco de traumas graves, que podem deixar sequelas, comprometer funções vitais e levar à morte. Os atropelamentos são responsáveis por 39 por cento das mortes nos acidentes de trânsito em São Paulo, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, com base nos casos notificados no ano de 2011. Das 5.394 mortes registradas, 2.114 foram de pedestres!
Mesmo conhecendo as estatísticas, já me arrisquei algumas vezes na travessia de avenidas e ruas em São Paulo. Hoje foi um desses dias, em que a pressa e a imprudência me conduziram entre os veículos, a poucos metros da faixa de pedestres, em local de intenso movimento na zona oeste da cidade. Logo veio à mente a frase repetida por um de meus sobrinhos: “quem não atravessa na faixa não tem direito a caixão”. A metáfora refere-se à displicência do pedestre, muitas vezes ele próprio o causador do acidente ou do atropelamento. Mas faz pensar também sobre a responsabilidade do Estado, quando muitas vias públicas sequer têm a demarcação de faixas de travessia.
Aumentar a segurança no trânsito ainda é um desafio nas grandes cidades brasileiras. Campanhas educativas buscam humanizar o deslocamento nos centros urbanos, colocando a proteção à vida como prioridade. Os resultados, porém, não são conquistas de curto prazo, pois dependem da construção de uma cultura de paz e convivência harmoniosa. Estimular o motorista a respeitar o pedestre faz parte de estratégias adotadas em cidades como São Paulo. O simples gesto do sinal de mão pode evitar atropelamentos. O trânsito mais cidadão depende, no entanto, do engajamento de toda a sociedade, especialmente as crianças e os jovens.
Planejo minha próxima viagem de férias disposta a descobrir novos cenários e histórias de convivência pacífica entre cidadãos motorizados e os que andam a pé. E um desejo move meu planejamento: não precisar sair do país para testemunhar momentos de pleno respeito, como pude ver há dois anos na pequena Canela, na serra gaúcha.

 
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Nevada ou nevasca?

Nevada ou nevasca? A maior onda de frio de 2013 provocou queda de neve em pelo menos 12 cidades do Rio Grande do Sul na madrugada desta segunda-feira, 22 de julho de 2013. Cidades da serra catarinense também registram o fenômeno. Sites de notícias informam a ocorrência de nevadas e nevascas. Há diferenças entre as duas palavras? Ambas estão corretas do ponto de vista da língua. Mas o uso deve seguir, na verdade, as condições meteorológicas. Nevada, segundo o dicionário Aurélio, é a neve que cai de uma vez. E nevasca é a neve acompanhada de temporal. Concordamos que nas duas situações é mesmo muito frio!!!

 
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A bordo ou à bordo?

Um colega me pergunta: “a bordo tem crase”? A resposta é não. “A bordo” é uma locução prepositiva, cujo núcleo é uma palavra masculina (bordo). E nesse tipo de locução de base masculina não há crase. É o caso de expressões como “a pedido de”, “a convite de”. Já nas locuções de base feminina existe a crase. São exemplos: “à vontade”, “à beira de”, “à espera de”, “à margem de”, “à luz de”, “às voltas com”.

 
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O Redator faz parceria com a Fundação Ema Klabin

O Redator acaba de fechar parceria com a Fundação Cultural Ema Gordon Klabin para a realização de duas atividades no segundo semestre de 2013. O curso de “Redação e Expressão Oral” visa demonstrar de que maneira os problemas com a escrita influenciam a comunicação oral e como os vícios da fala interferem no texto. Os participantes serão capacitados para a utilização dos recursos da expressão escrita e oral em diferentes situações da vida profissional. Serão oito encontros, sempre às terças-feiras pela manhã, entre os dias 27 de agosto e 15 de outubro.
Já a oficina “o texto como aliado, não como inimigo” mostra como explorar a redação na carreira profissional e na vida cotidiana. As atividades serão realizadas nos dias 31 de agosto e 14 de setembro – dois sábados – das 9 às 13h.
A Fundação Ema Klabin é uma instituição sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública federal, que tem por objetivos a promoção e a divulgação de atividades de caráter cultural, artístico e científico, além da transformação da residência de Ema Gordon Klabin em museu aberto à visitação pública. Os trabalhos de catalogação do acervo foram iniciados em 1997, três anos após o falecimento de Ema Klabin, e possibilitaram uma compreensão profunda das peças e sua história. Para divulgar o seu acervo, além da visitação pública, a Fundação Cultural Ema Gordon Klabin tem cedido obras para inúmeras exposições no Brasil e na Europa.
As duas atividades em parceria com O redator serão realizadas na sede da Fundação, na Rua Portugal, número 43, no Jardim Europa.

As inscrições já estão abertas!

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De versos infinitos a frases incompletas

Veio de um sonho o título desta publicação. Na cena, bastante real, recebia a tarefa de formular uma espécie de “pensamento do dia”, com base em antônimos ou situações opostas. Algo como riqueza e pobreza, juventude e velhice. Em algum compartimento, na hora do sonho, fui buscar o mote do que agora escrevo: “De versos infinitos a frases incompletas”.
Ao acordar, ainda envolvida pelo tema onírico, variações da mesma mensagem pipocaram: “De versos reprimidos a frases mal pensadas”. Passei o dia tentando interpretar os dois pensamentos, sem recorrer a Freud ou outras correntes psicanalíticas. O intuito da reflexão é mesmo literário. E o fascinante está em perceber a beleza das palavras, em como nos comunicamos, podendo recorrer a versos infinitos ou frases incompletas.

 
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A “silabada” do Feliciano

Além das já conhecidas frases polêmicas e discriminatórias de Marco Feliciano, acrescento uma pérola da última semana. Essa foi uma afronta à lingua mesmo. Em vez de dizer “austero”, com acento no é, Feliciano soltou um “áustero”, acentuando a primeira sílaba. O adjetivo, que vem do latim, significa rígido em opiniões, costumes ou caráter; severo, rigoroso. É uma palavra paroxítona, ou seja, quando o acento tônico recai sobre a penúltima sílaba.
Quando ocorre um erro de prosódia, ou seja, a troca da posição da sílaba tônica, verifica-se o que é denominado silabada. Mais uma do Feliciano…